Chester Gould
Chester Gould nasceu em 20 de novembro de 1900, na cidade de Pawnee, Oklahoma. Leitor das tiras de jornais da época, aos sete anos copiava os desenhos e inclui seus próprios diálogos, criando assim suas próprias histórias de seus personagens preferidos.
Com oito anos convenceu seu pai a deixá-lo retratar com seus desenhos os encontros políticos que aconteciam na corte de justiça local. Com catorze venceu seu primeiro concurso de desenho, promovido por uma revista, que lhe pagou cinco dólares pelo primeiro lugar.
Dois anos mais tarde, trabalhou durante as férias de verão pintando letreiros e fachadas de escritórios. Com o dinheiro que juntou, no ano seguinte pagou um curso de correspondência de ilustração e cartum. No mesmo ano ganhou o primeiro lugar em outro concurso, desta vez recebendo dez dólares.
No colégio, recebeu vários pedidos de cartuns nos anos de 1918 e 1919. Assinando como “Chess”, ao se formar, criou com um amigo chamado Chunck uma história de 27 páginas chamada Class History of 1919. Nesse mesmo ano conseguiu seu primeiro serviço remunerado como cartunista, recebendo trinta e cinco dólares por dezoito cartuns políticos feitos sob encomenda em um mês.
Em 1921, foi contratado pelo jornal The Daily Oklahoma News, de Oklahoma City, para desenhar cartuns sobre esportes, representando os atletas mostrados nas notícias. Essa série de desenhos, chamada “In the Sports Spotlight” (Nos holofotes dos espotes) logo se tornou um sucesso.
Depois disso, Chester mudou-se para Chicago. Sem ter conseguido um emprego melhor, aceitou permanecer como substituto no Chicago Journal, com um salário de trinta dólares por semana.
Um ano depois foi contratado pelo Chicago Tribune para trabalhar no departamento de serviços de arte, recebendo cinqüenta dólares por semana. Permaneceu lá por nove anos, até sair para dedicar-se exclusivamente à sua criação, Dick Tracy. Nesse período, graduou-se no curso noturno da Northwestern University, conheceu sua esposa, Edna Gauger, com quem teve uma filha chamada Jean.
Durante esse tempo também conseguiu publicar suas primeiras tiras no Heart’s Evening American, a humorística The Radio Catts e Fillum Fables, uma tira de aventura. Ele também escrevia sobre os grandes sucessos de bilheteria dos Teatros de Chicago fazendo mini-entrevistas e caricaturas de estrelas como Al Jolson, Eddie Cantor e Sophie tucker. "Why It's A Windy City" (Porque é a cidade do vento), se tornou popular no jornal. As entrevistas de Gould e seus cartoons eram muito apreciados pela população de Chicago. Mesmo assim, ele vivia lançando idéias de tiras e não conseguia nem chamar a atenção do editor J.M. Patterson.
Aparentemente, Chester tentava incansavelmente propor novas idéias de tiras para Patterson. Foram mais de sessenta propostas até que Gould recebeu um convite por telegrama para reunir-se com o editor em Chigado e falar sobre o personagem policial Plainclothes Tracy. Contudo, Patterson tinha uma sugestão: mudar o primeiro nome do personagem para Dick, como os policiais eram chamados na gíria de Chicago.
Patterson costumava dar as diretrizes para o início de cada série nova. Para Dick Tracy seria o seguinte: "Abra com ele ligando para sua namorada e jantando com a família dela. Eles queriam se casar. Depois, naquela noite, capangas invadem a casa, pegam o pai dela e o matam. Prossiga a partir disso". Até então, Tracy era um oficial encarregado de serviços burocráticos dentro da delegacia. Com a tragédia, tornou-se um detetive que ia para as ruas e assim começavam suas aventuras. A estréia se deu em um outro jornal do grupo do Chicago Tribune, o Detroit Mirror, em 4 de outubro de 1931.
Para criar histórias bem embasadas, Chester matriculou-se num curso de criminologia e balística na mesma universidade onde havia estudado. Além disso, tornou-se próximo dos policiais do laboratório da polícia de State Street, com carta branca para freqüentar o local e acompanhar o trabalho dos especialistas. Muito tempo depois, em 1953, Gould passou a contar com o auxílio do policial aposentado Al Valanis, para conferir os detalhes de cada história.
Apesar de não ter lançado nenhum outro personagem, Gould fez história nos quadrinhos. Foi um dos mais produtivos cartunistas, com uma regularidade invejável. Em 46 anos, dois meses e vinte e um dias de carreira, não atrasou nenhuma tira. Aposentou-se no Natal de 1977 e foi substituído pelo roteirista Max Allan Collins (Estrada Para Perdição) e pelo desenhista Rick Fletcher, que era assistente de Gould.
Recebeu diversas condecorações e títulos, especialmente de identidades das regiões onde morou. Em 11 de maio de 1985, faleceu de parada cardíaca, aos 84 anos.
São várias as contribuições que Chester Gould fez aos quadrinhos com Dick Tracy. A consolidação das aventuras de detetive e um estilo marcante e inconfundível são apenas algumas delas. A criação de personagens, especialmente de vilões, em suas formas caricatas, fazem de um predecessor de Bob Kane e todos os criadores do Batman e sua galeria de vilões.