John Romita

Os leitores mais novos certamente relacionam o nome de John Romita com o desenhista de traço estilizado que na década de 90 trabalhou com Thor, Homem-Aranha e depois, em 2005, com o Wolverine. Mas muitas vezes ignoram que esse artista atual é o filho de outra lenda dos quadrinhos. John Victor Jazzy Romita é um exemplo que todos os artistas deveriam seguir. Hábil desenhista, soube se reinventar e criar um estilo próprio que influenciou diversas gerações mesmo tendo chegado perto de desistir dos quadrinhos.

Descendente de italianos, John nasceu em 1930, no Brooklin. Era ilustrador publicitário e começou fazendo histórias de ficção científica para a Atlas (que viria a se tornar a Marvel) nos anos de 1950 e nessa época até chegou a fazer algumas capas para a Revista do Capitão América da Timely. Depois disso, trabalhou durante oito anos para a DC Comics, realizando apenas histórias de romance. Acreditando que não havia mais espaço para ele nos quadrinhos, principalmente no gênero de super-heróis, que na década de 60 tinha evoluído muito e seguia o estilo de Kirby e Ditko, bem diferente do que ele fazia nos quadrinhos românticos da DC, com apenas 35 anos Romita sentia que era hora de se aposentar.

Felizmente Stan Lee, preocupado com o pequeno número de desenhistas ativos e a necessidade de expansão da Marvel, convenceu o artista que ele ainda poderia fazer sucesso nos quadrinhos. Inicialmente ele fez algumas edições do Demolidor após a saída de Wallace Wood, enquanto tentava se adaptar e encontrar seu estilo de forma a ter a agilidade e o movimento que os outros quadrinhistas conseguiam imprimir em suas cenas. Sua grande dificuldade era o layout sintético de páginas que se fazia na Marvel. Os desenhos começavam a ser cada vez mais econômicos, não representando movimentos que pudessem ficar implícitos e aumentando o impacto da ação. Sem medo de aprender, pediu ajuda a Jack Kirby, que lhe foi dando dicas e sugestões para que seu trabalho melhorasse.

Romita relembra "Enquanto eu desenhava Matt Murdock se trocando de roupa numa vinheta e saindo do apartamento na seguinte, Jack fez ele sair pela janela - mesmo sem saber se tinha escada de emergência - e pular para um poste de iluminação e daí para o capô de um automóvel. Segundos mais tarde o herói deslocava-se pela West Side Highway apoiado em dois carros em alta velocidade!" Aquela foi uma lição de "timing" que ele não esqueceria mais.

Em Demolidor, Romita retratou dois encontros do herói com o Homem-Aranha. Como Stan Lee e Ditko começaram a ter divergências criativas que logo levariam a saída do desenhista da editora, Lee colocou o título de maior sucesso da editora nas mãos de Romita. Sob protestos dos leitores que queriam Ditko de volta, ele assumiu os desenhos na edição 39 com um trabalho bem diferente do que vinha sendo feito. A experiência de Romita em retratar personagens e situações cotidianas, além de mulheres elegantes, foi a chave de seu sucesso em Amazing Spider-Man.

Logo o desenhista encontrou seu caminho. Além de aperfeiçoar seu traço e sua narrativa visual com as dicas de Kirby, introduziu várias técnicas utilizadas no cinema. Fã de filmes como Lone Ranger, Buck Rogers e Flash Gordon, adaptava para sua narrativa planos seqüência, zoons, diferente focos e diversas outras ferramentas que transformavam o cinema dinâmico e começam a transferir essa movimentação para o papel. Seu trabalho nessa área foi tão relevante que o livro Exploring the Film utilizou 20 páginas de Spiderman # 41 para explicar o funcionamento de alguns truques cinematográficos como close, ângulos de câmera, visão panorâmica, campo e contra-campo.

Romita desenharia o Aranha por seis anos consecutivos e desenhou muitos momentos marcantes da vida do herói, além definir o visual de vários coadjuvantes como Mary Jane, o Rei, Rino e Robbie Robertson, redator chefe do Clarim Diário e segundo personagem afro-americano de maior destaque da Marvel até então, depois do Pantera Negra.

Sua primeira história revelava a verdadeira identidade do Duende Verde, um mistério que tinha perdurado por várias edições. Ele também estava lá quando Gwen morreu e mesmo após vários anos da sua passagem pelo título, ele retornou para desenhar a edição especial em que Peter e Mary Jane se casariam. O visual que ele criou para esses personagens marcaria toda a década de 80 e só seria mudado nos anos 90, com a reformulação de Todd Mcfarlane. Romita chegou a declarar que não aprovava o novo visual dado ao personagem, pois o herói nunca foi tão cheio de músculos e sim um sujeito mais magro e ágil.

Três anos depois de deixar Amazing Spider-Man, Romita assumiu as tiras do Aranha para os jornais (publicadas no Brasil no álbum Stripmania, da Opera Gráphica) e as produziu de 1977 a 1981.

Depois de sair do Homem-Aranha ele assumiria o Quarteto Fantástico por algum tempo e aplicaria muito das técnicas que tinha aprendido, mostrando uma arte mais madura e aprimorada que unia seu trabalho dinâmico no Homem-Aranha ao estilo que Kirby vinha desenvolvendo no Quarteto. Ele ficou pouco tempo no título e logo passou a arte para John Buscema, assumindo então o cargo de Diretor de Arte da Marvel.

Nesta função, Romita desenvolveu o visual de muitos personagens que outros desenhistas seguiriam nas publicações da Marvel. Entre eles, o uniforme de Wolverine (a aparência sem máscara do mutante canadense foi desenvolvida por Dave Cokrum) e o Justiceiro.

John Romita Sr está praticamente aposentado dos quadrinhos desde 1996, a não ser por um ou outro trabalho que faz por seu valor emocional. Como foi o caso de Amazing Spider-Man nº 500, da qual desenhou algumas páginas da história comemorativa de J. Michael Straczynski.

 

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