De uns tempos para cá os quadrinhos da Marvel
e DC retomaram a linha dos mega-eventos reunindo todos os personagens
e mobilizando a maior parte das revistas para se ligarem a uma história
principal. Isso vai na contra-mão da política que vínhamos
acompanhando na última década, principalmente na Marvel,
onde os heróis ficavam confinados em "microversos"
e suas história pouco ou nada afetavam os outros personagens.
Alguns heróis, como o Homem-Aranha por exemplo, que tinham
mais de um título mensal, chegavam a ter histórias muito
diferentes, algumas vezes até conflitantes, por essas revista
não se relacionarem.
Por um lado essa estrutura criava alguns problemas
e até algumas situações cronológicas estranhas.
Contudo, era vantajosa para aqueles leitores de um personagem só.
Quem queria acompanhar só o Quarteto Fantástico podia
fazer sem problema. Infelizmente isso não é comercialmente
interessante para as editoras que querem que o leitor compre todos
os títulos que elas publicam, independente da qualidade do
material. Além disso, as histórias nesse esquema não
geram muita publicidade, não trazem toda a curiosidade, especulação
e debate de fãs que é dá o retorno financeiro
desejado.
Dessa forma, no último ano vimos o retorno
dos grandes crossovers, reunindo todos os personagens de uma editora
e amarrando todos os títulos publicados a uma minissérie.
Dos dois lados os acontecimentos foram mais ou menos no mesmo ritmo.
Houve Vigadores: A Queda, um evento
um pouco mais tímido, que se centrava na revista dos Vingadores
e pouco influenciava os outros títulos. Enquanto isso, na DC
tivemos a genial Crise de Identidade, que
também se centrou na minissérie e, em primeiro momento,
quase não afetou os outros títulos.
Contudo, o leitor desavisado que não leu essas
revistas se arrependeu amargamente mais para frente, pois, por causa
delas, todas as revistas sofreram bruscas alterações.
Na Marvel aconteceu a Dinastia M, onde a enlouquecida
Wanda, influenciada pelo seu irmão Pietro, altera toda a realidade
para uma Utopia Mutante sob o comando de Magneto. Esse evento não
só influenciou as revistas mensais como deu uma parada brusca
em tudo que estava em andamento. As histórias dos personagens
transcorriam normalmente até que elas tinham que parar para
mostrar as novas versões dos heróis nesse mundo criado
pela magia da Feiticeira Escarlate.
Nem precisa dizer que isso foi uma baboseira total.
Por mais que algumas histórias até tivessem uma trama
interessante, todos sabiam que depois de alguns meses isso ia ser
desfeito, aquelas aventuras não significariam nada e as histórias
voltariam à sua programação normal. Dito e feito,
a minissérie nem foi tão boa assim, até causou
algumas implicações no Universo Marvel, o suficiente
para causar mais dois mega-eventos que virão (Dizimação
e Guerra Civil), mas as ligações com a série
se tornaram apenas um aborrecimento para o leitor.
Na DC temos um cenário com uma lógica
parecida, mas uma situação bem diferente. Após
a Crise de Identidade o UDC começa a ficar mais sombrio, mais
desconfiado, dizem alguns roteiristas que isso é um sinal de
mais realismo, mas, enfim, toda essa atmosfera começa a gerar
uma série de conseqüências. Esses eventos desembocam
na Contagem Regressiva para a Crise Infinita que, obvimente, antecede
a Crise Infinita.
Vemos assim, quatro minisséries que vão
aos poucos afetando todas as revistas da editora, até chegar
um evento que vai mudar todas as revistas definitivamente. Não
é preciso lembrar que a DC tem tornado este tipo de evento
de reformulação cada vez mais freqüente, o que
faz pensar se eles geram os efeitos desejados.
Porém, o que mais incomoda nesta nova Crise,
é que dezenas de títulos que antes davam variedade para
a editora agora, além de seguir um roteiro estão também
com um mesmo tom de narrativa, uma mesma atmosfera sombria que chega
até a afetar roteiristas que não costumam trabalhar
desta forma.