17º Festival de Quadrinhos de Amadora, Portugal

Começou no dia 20 de outubro a 17ª edição do FIBDA, Festival Internacional de Banda Desenhada de Amadora, em Portugal, que segue até o dia 5 de novembro.

O tema central desta edição será “17 Graus Periféricos e o Resto do Mundo”, trazendo mostras de quadrinhos e cartuns América Latina, África “Negra”, Mundo Árabe e Leste Europeu. Numa das mostras, estarão expostos trabalhos de cerca de 200 autores oriundos de 40 países. O Brasil marca presença com uma seleção de trabalhos de autores como Renato Guedes, Eugênio Colonese, Jayme Cortez, Henfil, Luiz Gê, Rodolfo Zalla, Paulo Caruso, Maurício de Souza, Fábio Moon e Gabriel Bá, Mike Deodato Jr e Júlia Bax, além de publicações como Circo, A Gazetinha, Balão, Pasquim, Suplemento Juvenil e Sesinho.

O número 17 também é o mote para a mostra “17 autores portugueses contemporâneos”. Também haverá uma outra mostra com artistas portugueses que trabalham para o mercado norte-americano, entre outras tantas mais.

O festival também tem uma grande premiação para todos os segmentos dos quadrinhos em Portugal (como o nosso HQ Mix, com premiações para obras e autores estrangeiros e para os trabalhos de edição em Portugal) e também para jovens talentos, com categorias divididas por faixa etária, a começar de 12 a 16 anos.

Mas o que deve chamar a atenção do público são as mostras sobre o assim chamado nouvelle manga, puxado por Frédéric Boilet. Segundo o Jornal de Notícias, de Portugal, no site www.nouvellemanga.com, Boilet desenvolve um longo manifesto - cuja leitura se aconselha - em que, muito resumidamente, após discorrer sobre BD, mangá e cinema francês, define "a nova manga" (no feminino, em oposição ao masculino usado para a produção nipônica mais comercial) como uma banda desenhada de autor, ancorada na realidade e no quotidiano - podendo ser autobiográfica, documental ou ficcional - tão capaz "de ser lida e apreciada por fãs de BD como de mangá, por especialistas como por neófitos, por franceses como por japoneses".

Os autores presentes nesta edição são: Maurício de Souza (criador da Turma da Mônica), Frank Giroud, Lucien Rollin, Jean-Claude Denis (regressa a Portugal depois do Salão Lisboa 2001), Alessandro Barbucci, Frédéric Boilet, Aurélia Aurita, Étienne Davoudeau, David Rubin, Ángel de La Calle, Tomaz Lavric, Sérgio Salma, Aleksandar Zograf (na sua terceira visita após o Salão Lisboa 2003 e a edição anterior do FIBDA), Lailson Cavalcanti, Sixto Valência, Eduardo del Rio, Roberto Goiriz, Clément Obrerie, Grof Balazs, Lorenzo Gomez, JP Stassen, Yvan Alagbé, Eric Lambé e Sid Ali Meloah.

Este ano o FIBDA tem como cartaz uma imagem de Felipe Abranches, autor premiado em 2005 pelo Prêmio Nacional de BD como melhor desenhista pelo álbum “As Aventuras Formativas de Fortunata, Maria e Garção”. Felipe é também o autor português de destaque no festival, com uma exposição individual no prédio central do festival.

O lado mais interessante deste e de outros eventos europeus é que as atrações tomam conta de toda a cidade, ocupando vários espaços e chamando a atenção dos mais diferentes públicos. Para isso, eles associam ao evento várias outras atividades culturais, como espetáculos musicais, oficinas de cinema de animação e de cores, hora do conto e outras formas de recreação diferenciadas por idade. Serão ainda exibidos no auditório do festival filmes de animação.

Lógico que o hábito de valorizar todo tipo de manifestação cultural conta muito, mas é possível ver como estas iniciativas têm resultado positivo. E olha que se dermos uma lida rápida em qualquer site europeu sobre quadrinhos, veremos as mesmas discussões sobre criar-se um espaço para os quadrinhos serem mais conhecidos que estamos acostumados a acompanhar no Brasil. Talvez esta briga esteja mesmo acontecendo em vários outros países.

O Festival de BD de Amadora representa um gênero diferente daqueles vistos nos EUA, onde o único interesse é o comércio de materiais relacionados aos quadrinhos. Lá ocorre mesmo um encontro entre fãs e autores de HQ, interessados em aumentar seus conhecimentos sobre a arte e fazer amizades em torno deste hábito saudável de leitura.

 

Comentários no nosso Boteco ou por e-mail

 

Retorne a página inicial