Flyboys

Os filmes
épicos de guerra têm seus fãs fiéis,
mas, ao mesmo tem, tem um grande número de pessoas
que passa longe desse tipo história. Seja pela violência,
pela crueldade ou por puro preconceito, algumas pessoas
abominam esse gênero. Contudo, vale a pena deixar
o preconceito de lado e assistir Flyboys.
O filme
deixa de lado as cenas mais chocantes típicas das
guerras de trincheiras e investe em uma história
legal, com uma trilha sonora que potencializa as cenas e
um visual fantástico. Os elementos clássicos
do gênero estão presentes: o líder traumatizado,
mas com um enorme senso de responsabilidade, um grupo formado
por pessoas que não poderiam ser mais diferentes,
um capitão paternal e todo o heroísmo pertinente
aos protagonistas.
A trama
se foca na Esquadrilha Lafayette, o grupo de defesa aérea
da França na primeira guerra. É interessante
observar que o avião tinha acabado de surgir e que
essa era sua primeira utilização como arma
de guerra, então a esquadrilha era mais do que uma
unidade bélica, era uma unidade de formação
de pilotos que recebia voluntários de todo mundo,
mesmo de países que não estavam participando
da guerra, como os EUA.
Com um
treinamento rápido de três semanas, os voluntários
recebiam seus aviões e partiam para o front, onde
a expectativa de vida era de no máximo seis semanas,
e tinham que combater os alemães, que tinham aviões
notoriamente mais bem equipados e mais potentes que os franceses.
Além
de personagens interessantes, com personalidades marcantes
e boas atuações, temos um belo romance que
se desenrola entre um dos pilotos e uma francesa que tem
que cuidar de três sobrinhos depois da morte do irmão
e da cunhada.
Mas o
melhor do filme são as cenas de combate aéreo.
É impossível não se arrepiar quando
a Esquadrilha Lafayette aparece no horizonte para salvar
as pessoas de uma cidade que estão sob o cruel ataque
de aviadores alemães. As cenas são empolgantes,
os aviões são extremamente frágeis
e os heróis correm um risco muito grande, o que torna
sua luta muito mais emocionante e envolvente. Uma pessoa
tem que ter muita coragem e motivação para
estar ali em um avião – ou isso ou ser um doido
varrido.
Vale
um destaque para uma tática muito interessante utilizada
por um dos pilotos alemães. Como eram poucos aviadores,
depois de alguns confrontos um começava a conhecer
o outro pela insígnia pintada na lateral avião
e o reencontro entre os sobreviventes de cada ataque era
inevitável. Com isso em mente, um piloto alemão
embosca um dos americanos e o deixa sem alternativa a não
ser rezar e esperar a morte pelas mãos do inimigo.
Contudo, ele simplesmente deixa claro que poderia matá-lo
e vai embora. Em um primeiro momento pode parecer piedade
ou mesmo alguma crise de consciência. Mas na verdade,
isso esconde uma bela tática psciológica,
pois, em um confronto seguinte, se o americano tiver esse
piloto na mira, pensará duas vezes antes de atirar
e esse momento de dúvida pode ser decisivo em uma
batalha aérea.
As guerras,
apesar de sua crueldade, de suas motivações
políticas sujas e da destruição que
causam sempre foram temas tanto de quadrinhos quanto filmes.
Alguma coisa nesse gênero - talvez a idéia
das pessoas lutando por um ideal, ou mesmo as estratégias,
as táticas - atrai as pessoas. Outro elemento comum
nesses filmes é o companherismo entre os soldados,
sua dedicação de proteger o colega mesmo ao
custo de sua vida. Algo que vai além da amizade,
um pacto de proteção mútua.
A Esqudrilha
Lafayette do filme lembra muito a série em quadrinhos
Falcão Negro, criada por Will Eisner em 1941 e que
teve uma nova versão escrita e desenhada por Howard
Chaikyn em 1990. Ambientada na Segunda Guerra Mundial, a
esquadrilha também era formada por membros de vários
países.
No geral
é um filme fantástico, emocionante e com as
melhores batalhas aéreas que você poderia pensar.
Você se sente no céu com os aviadores, em uma
frágil avião fazendo todo o possível
para abater o maior número de inimigos antes de morrer.