Os artistas dos quadrinhos antes da imprensa
por Wally Silva
Antes mesmo da revolução da imprensa os antecedentes da história em quadrinhos (como mencionamos antes: pinturas rupestres, paredes de templos, vitrais da idade média,etc...) já constituíam um eficaz meio de comunicação, visto que sua linguagem baseada em imagens favorece uma compreensão rápida mesmo de pessoas iletradas ou de idiomas diferentes.
Alguns autores atribuem a criação da história em quadrinhos propriamente dita a Richard Outcoult (uma agulhada pessoal: provavelmente são as mesmas pessoas que atribuem aos irmãos Write a invenção do avião) quando criou o Down Hogan’s Alley. Embora tenha grande importância, o trabalho de Oultcolt publicado no New York World e que lançou o personagem “Menino amarelo” surgiu em 1895 e ainda assim não tinha o formato de quadrinhos, ou arte seqüencial. Parecia-se mais com uma charge. Antes de Outcoult podemos citar dois homens importantes que faziam trabalhos bem mais próximos da arte seqüencial que hoje chamamos de quadrinhos.
Rodolphe Töpffer


Na Suíça, em meados do século XIX, Rodolphe Töpffer, usou charges acompanhadas de textos de uma forma seqüenciada divididas em quadros. Filho de um pintor alemão, Topffer além de artista era crítico de arte, escritor e pedagogo.
Embora tenha nascido em uma família burguesa e que dava muita importância às artes visuais, seu nome ficou marcado na educação. Por sinal, em seu país de origem até hoje seu nome é dado a várias escolas.
Como educador Töpffer produzia pequenos livros feitos à mão, em tiragem única. Ele chamava esses livrinhos de “literatura em estampas”. Passava-os de mão em mão para os alunos e amigos mais próximos. Seu objetivo era o de facilitar a compreensão das crianças tornando o texto dos livros mais atraentes. Sua primeira obra foi Histoire de Monsieur Jabot, produzida em 1833.
Ângelo Agostini



No Brasil, período do reinado, o ilustrador Ângelo Agostini fazia uso do mesmo formato de Töpffer em suas tiras dominicais com o personagem Nhô Quim, porém, ao invés da educação o artista era um grande crítico do reinado. Abolicionista, Agostine usava de bom humor e uma aguda percepção para lançar críticas contra Dom Pedro I, a escravatura e não poupava nem a imagem de autoridades clericais como o Papa Pio IX.
Em seus 46 anos de vida profissional (1864 a 1910) Ângelo Agostini publicou seus trabalhos e criou personagens em diversas revistas e jornais como O Malho, Diabo Coxo, Jornal do comércio, O Arlequim e outros.
Em 1868 publicou no jornal Vida Fluminense nove episódios da história em quadrinhos As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte. A história semanal narrava as divertidas trapalhadas de um interiorano em uma viagem pelo Rio de Janeiro.
Além do estilo próprio de desenhar, Ângelo Agostine demonstrou em seus trabalhos no Vida Fluminense uma observação acurada sobre os tipos brasileiros. Caixeiros, mucamas, mulatinhas e sinhás, entre outros tipos, eram retratados em suas charges e quadrinhos.
Como vimos rapidamente, nem sempre os quadrinhos tiveram o propósito comercial de hoje. Töpffer pensava como uma comunicação dirigida só a seus próximos. Agostine já ia mais longe e fazia exposição de suas idéias a todos quando pudessem ler.
Mas foi no inicio do século XX que muitos editores perceberam o crescimento do mercado editorial e viram como os quadrinhos poderiam ser usados para “puxar” as vendas dos jornais.
Considera-se o inicio da era "daily strips" (tiras diárias) o ano de 1907, quando Ham Fisher criou para jornal Chronicle o personagem Mr.A.Mutt, um apostador de corridas de cavalo que sempre terminava as histórias com uma sugestão para as apostas do dia seguinte. As tirinhas de Fisher ganharam sua forma definitiva quando foi inserido o personagem Jeff, amigo de Mr. Mutt. Desde então a história rebatizada de "Mutt & Jeff" atingiram uma grande popularidade.
Em nosso próximo artigo vamos ver como os quadrinhos americanos ganharam o mundo e influenciaram a produção em outros paises.
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