LIGA DA JUSTIÇA
Elite #01 de 03
De R$ 6,90 por R$ 5,90

LJ Elite

A última parte da mini-série Liga da Justiça Elite já chegou à maioria das bancas do país e deixou muitos leitores impressionados com a retomada que Joe Kelly fez do mote de Action Comics 775, onde o Superman enfrentou uma representação das novas tendências dos quadrinhos nos anos 90.

O artigo do roteirista publicado na segunda edição é uma excelente amostra de como os quadrinhos de super-heróis podem passar por descontruções como as começadas por Alan Moore em Watchmen e ainda assim continuar existindo. Principalmente quando as experiências neste sentido criaram uma série de novos clichês que foram apenas repetidos na década passada.

Pelas palavras de Kelly neste texto, é possível ver como ele tem uma postura crítica e ponderada sobre estes quadrinhos, conhecidos como o “estilo Image”. A maneira de estas histórias mostrarem o cruzamento dos quadrinhos com o “mundo real” é praticamente invertida em JLA Elite. Assim o roteirista trata de resolver uma incoerência entre estes dois elementos que mataria o gênero de super-heróis.

Na Image, personagens que não são super-heróis são postos para protagonizar uma história de super-heróis, em geral com todos os clichês do gênero. Aparentemente, bastava que o personagem fosse mal-encarado, usasse umas roupas transadas, falasse palavrão, fizesse sexo na frente dos leitores e espancasse um pouco mais seus adversários – só um pouco além da violência que já era exagerada nos gibis. Nisso nasce uma contradição enorme.

Por isso, com a maioria dos autores sendo apenas medianos, era difícil aceitar estas histórias como parte do gênero super-heróis e ainda dar algum crédito a elas. Se eram boas, era porque fugiam demais das convenções do gênero. Muitos até hoje interpretam o depoimento de Alan Moore de que ele teria matado os super-heróis em Watchmen como se sua postura fosse inversamente proporcional à de Frank Miller, que os teria salvado em Cavaleiro das Trevas. Na verdade, ambas fizeram esta tal “descontrução” do gênero para indicar os pontos que precisavam ser revistos para a adequação das histórias ao novo momento cultural em que os leitores viviam.

Atualmente nas revistas do Superman vemos uma insinuação de um caso com Lana Lang depois de Clark e Lois estarem casadas há anos. Tudo em nome de “humanização” do personagem e um “amadurecimento” dos quadrinhos. Como se Clark fosse um bobão por não ter pulado a cerca até hoje, ainda mais com o “charme” e o “caráter” que seus poderes lhe conferem.

No entanto, esta postura era impensável em uma sociedade em que nem mesmo os cidadãos reais se prestavam a comentar o adultério. A concepção do personagem é anterior a esta discussão e sua transposição mecânica para os quadrinhos é mais um retrocesso dessa forma de arte do que um avanço, pois não percebem que a relação entre os fatos sociais e sua representação pela ficção é um pouco mais sofisticada e indireta.

Os personagens da Elite, por sua vez, estão mais próximos dos indivíduos comuns. Ou melhor, suas atividades cotidianas são mostradas aos leitores, apenas na medida em que acrescentam algo ao conflito do enredo, e isso se torna parte constitutiva delas. Não é apenas mostrar o herói adolescente indo ao colégio e depois massacrando uns bandidos da mesma forma que Wolverine faria. Trata-se de definir estes personagens como algo mais próximo de pessoas.

Essas pessoas estão tentando melhorar o mundo como super-heróis. Mas só por causa deste foco quase oposto ao caso anterior é que enredos muito diferentes se constroem. “Trazer a luz através das trevas”, segundo o Xeique. Há muitas questões por trás deste mote que fogem ao roteiro dos quadrinhos de super-heróis.

Justamente por isso os melhores momentos da série estão em diálogos entre membros da equipe, nas dependências de seu esconderijo. É onde estes soldados são pessoas. Outra frase marcante é a última da mini-série, quando Vera Black responde que na Elite não há nenhum super-herói, “Só gente boa”.

Ao invés de sacar os super-heróis e deixar o enredo, Kelly mantém os heróis e joga com a trama para tentar algo diferente. Seja abordando a filosofia de trabalho do Xeique ou o conflito moral de um assassinato em combate, lá estão super-heróis para serem testados sem que o roteirista esteja predisposto a ridicularizá-los ou destruí-los moralmente.

Como ressalta Joe Kelly, esta é exatamente uma história de super-heróis porque o que mais importa é a conduta destes personagens e sua motivação e esforço para causar alguma melhora no mundo. Algo bem diferente de The Authority, que busca soluções em escala global para os problemas “reais” e com isso cai além daquele limite do gênero dos super-heróis. O foco concentrado da Elite em fazer a sua parte é que a torna uma equipe especial.

Sem dúvida, Kelly tentou salvar os heróis com uma boa história. Principalmente para os personagens que têm uma vida além deste título, como Flash e Arqueiro Verde, foi uma injeção de criatividade que os energiza para encarar estes tempos de provação em meio à crise. Não importa como isso termine, esperamos que eles sigam sendo heróis.

 

LIGA DA JUSTIÇA
Elite Nº 02
De R$ 6,90 por R$ 5,90

LIGA DA JUSTIÇA Elite
Nº 03 de 03
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