Pediram
para a gente fazer uma lista dos dez melhores quadrinhos que lemos no
ano. Fizemos, com muita dor no coração por ser só
dez. Ela vai ser divulgada no site o Grito (http://www.ogritoblog.blogspot.com/),
junto com outras listas de outras coisas. Mas como lá só
vai ter os títulos mesmo, resolvemos aproveitar a lista para
fazer nosso melhor do ano. Muita coisa legal está ficando de
fora, o que é um bom sinal, pois quer dizer que tivemos muito
bons lançamentos esse ano.
1-
Corto Maltese: A balada do Mar Salgado: Hugo Pratt é
fantástico. Ter as publicações de Corto Maltese
saindo com uma certa periodicidade aqui no Brasil é algo notável.
Um dos comentários mais interessantes que a gente ouviu sobre
o Corto foi quando a gente entrevistou o Marcelo Campos e ele disse
que sua esposa, olhando o álbum, disse que aquilo era desenho
mesmo, no sentido que não tinha a intenção de ser
um trabalho fotográfico, mas sim um trabalho de desenho. Além
disso teve o comentário do Greg Tochini sobre como as mulheres
movem o mundo de Corto Maltese e como a trama está sempre de
uma forma ou outra ligada com as personagem femininas que aparecem na
história. Quando a gente sugeriu Corto Maltese como melhor publicação
do ano, pretendíamos deixar implícitos os trabalhos de
Milo Manara, principalmente o Gaúcho, uma parceria genial entre
Manara e Pratt.
2-
DC: A Nova Fronteira: Não tem como, pergunte para qualquer
um que acompanhou super-heróis por tempo demais até ficar
desiludido com o gênero qual a melhor história de heróis
que ele leu no ano. Se ele pegou A Nova Fronteira para ler, com certeza
esse é o nome que ele dirá. Essa revista tem tudo de bom,
é divertida, inteligente, despretensiosa, com personagens cativantes,
uma história muito boa e uma arte com muita personalidade e estilo.
Ah, como se isso não bastasse, o prefácio do primeiro
volume e o posfácio do segundo são muito bem pensados,
principalmente o posfácio que justifica a inocência da
história e usa uma metáfora maravilhosa para mostrar como
os quadrinhos que tentam ser muito realistas muitas vezes acabam matando
a diversão da leitura.
3-
Sandman: Terra dos Sonhos : Quando citamos esse volume, obviamente,
queríamos dizer que todos os álbuns do Sandman, que sem
a menor dúvida são um material obrigatório para
qualquer colecionador. Também está implícito aqui
o encadernado com as histórias da Morte, uma das melhores personagens
dos Perpétuos de Gaiman.
4-
Invencível: Negócios de Família: Esse
item foi para homegear a nova cara da Image que vem conquistando espaço
aqui também com as publicações da HQM e da Pixel.
Esse ano tivemos quatro álbuns muito legais do genial escritor
Robert Kirkman, dois da fantástica série Invencível
e dois da também excelente Mortos-Vivos. Ambas as séries
marcam por pegar gêneros que todos acreditam estar dominados pelos
clichês e mostrar que eles ainda funcionam, com clichês
e tudo. Outra série dessa nova safra que saiu pela Pixel foi
Ultra, com uma história genial dos Luna Brothers. Ficamos na
esperança de que no ano que vem saia a outra série deles:
Girls.
5
– Mesa para Dois: Tivemos vários lançamentos
nacionais legais, principalmente revistas independentes muito boas.
Mas os Gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá merecem um
destaque especial por esse novo lançamento. Eles fizeram essa
história incialmente para um concurso de Literatura para Todos,
promovido pelo governo federal. Infelizmente quadrinhos foram jogado
em uma categoria muito ampla que comportava até peças
de teatro, então a história não ganhou. Felizmente
eles foram atrás e publicaram essa excelente história
que é, também, uma homenagem ao Lourenço Mutarelli.
Está implicíto nesse item Um dia, Uma Noite, também
dos Gêmeos, também muito simples, muito bonito, muito legal.
6-
Mas ele diz que me ama: O álbum de Rosalind B. Penfold
tem um traço bem simples (mas muito eficiente e profundamente
sincero), saiu por uma editora fora do circuitão dos quadrinhos
(a Ediouro publica mais na parceria com a Pixel) e trata de um tema
difícil (maridos que agridem mulheres). Por isso, ficou meio
de lado nos meios quadrinhísticos. Mas é o lançamento
mais memorável de 2006. Por muitas razões, não
pode ser esquecido.(*)
7- Blacksad nº 2: Todo material europeu que saiu
pela Panini foi uma excelente surpresa, mas, dentre esse material Blacksad
se destaca por um desenho maravilhoso e uma história muito inteligente.
Destacamos o número dois em especial porque o autor conseguiu
fazer uma história sobre preconceito racial de uma forma bem
diferente. Fora tudo isso, Balcksad vale por ser uma história
policial muito bem feita.
8-
Maiores Clássicos DC: Alan Moore: Toda a serie Maiores
Clássicos da Panini é bem legal, mas as histórias
do Alan Moore que marcaram tanto a DC são um material essencial.
Fica implícito aqui as outras coisas do autor também publicadas
esse ano, como V de Vingança,Tom Strong e Top 10.
9-
Lobo Solitário nº 21: Ao se aproximar de seu final,
o que já era bom ficou ainda melhor. Na fase atual, Koike e Kojima
mexeram na estrutura do mangá e os capítulos se tornaram
encadeados, aumentando o ritmo e o suspense da história. E tem
Abe-No-Kaii, um bandidão tão bom que deixa Retsudô
no chinelo.(*)
10-
Goon: O Casca Grossa: Esse é bem para relaxar. Algo
non sense, bem feito e divertido. Não procure lógica,
não procure explicações, apenas leia e se divirta,
muito.
Obviamente
muita coisa ficou de fora... mas até aí isso varia do
gosto de cada um e nesse sentido 2006 foi excelente, feito para todos
os gostos. Esperamos que 2007 seja muito melhor e que os quadrinhos
cresçam cada vez mais.
(*)
Indicado por Eduardo Nasi.