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Melhor de 2007

Quando o ano acaba parece quase obrigatório fazer o balanço geral e uma lista de melhores do ano. Para fugir um pouco desse padrão e evitar tentar elencar em uma ordem subjetiva os títulos que foram publicados, vamos fazer um texto lembrando o que cada editora teve de melhor no ano que passou, as coisas que realmente valeram a pena e aquelas que quem perdeu tem que correr atrás.

Uma editora fácil de lembrar porque lançou poucas coisas, mas a maioria memorável, é a HQM. O maior destaque deles nesse ano foi o terceiro encadernado de Invencível, fechando um excelente arco de histórias que dá uma boa injeção de ânimo e de ar fresco no já tradicional gênero dos Super-Heróis. Eles ainda lançaram a divertida, inteligente e muito bem desenhada Liberty Meadows, uma deliciosa coletânea de tiras do artista Frank Cho que mostrou um lado ainda pouco conhecido aqui no Brasil desse versátil quadrinhista. Além disso eles se arriscaram com mais uma parte de Estranhos no Paraíso e com o suposto clássico Bratt Pack. Estranhos no Paraíso merece um destaque por mostrar uma história muito forte e dramática.

A Conrad é outra editora que foi lançando material aos poucos. Mesmo os excelentes mangás periódicos como Monster e Battle Royale foram saindo devagar, sem muita regularidade. Contudo, mesmo nesse passo a editora conseguiu emplacar dois grandes best-sellers, publicando as “pontas” da obra completa de um dos mais carismáticos personagens das tiras norte-americanas:  Calvin. Eles lançaram o inédito O Mundo é Mágico, o último livro da coleção, e Foi assim que tudo começou, o primeiro da série. Além do Calvin, investiram no sempre clássico Sandman e trouxeram alguns materiais polêmicos que chamaram muita atenção, como a controversa autobiografia Fun Home. A editora ainda chamou atenção com dois álbuns nacionais, a Relíquia, adaptando o clássico da literatura de Eça de Queirós, e Laertevisão, uma coletânea de materiais publicados na Folha, editados de forma a criar uma espécie de biografia do cartunista Laerte.

A Devir também teve um ano meio conturbado. A editora redefiniu toda sua editorial depois que a Pixel adquiriu os direitos de publicação das linhas Vertigo e Wildstorm da DC Comics. Por isso, tentou emplacar alguns materiais alternativos como 12 razões para Amá-la (que é divertido, mas não é tudo isso), Witheout, o excelente Usagi Yogimbo e as Tartarugas Ninja. Apesar desses materiais não terem um público tão grande, a editora ainda conseguiu emplacar alguns arrasa-quarteirões como o estrondoso 300 de Frank Miller, que aproveitando a publicidade do filme esgotou duas edições do excelente álbum com sua arte no impecável formato original na horizontal. Fora isso, continuou a publicação de alguns clássicos dos quadrinhos como Antes do Incal e os materiais do Will Eisner, além da polêmica trilogia erótica de Alan Moore, Lost Girls, apresentando sua leitura adulta de alguns personagens clássicos de contos infantis

A JBC como sempre manteve-se como uma editora discreta que publica vários mangás, alimenta os fãs do gênero, sendo a editora preferida por eles, mas que não chama muita atenção. O grande destaque da editora foi Death Note, por ser um mangá bem polêmico em que um garoto descobre um caderno que tem o poder de matar as pessoas que têm seus nomes escritos nele. Além desse título mais famoso e de Full Metal Alquimist, uma revista que merece ser acompanhada pelos leitores é XXX Holic, um título meio bobinho, mas que é muito divertido, misturando magia, exoterismo, romance e todas aquelas coisas que acabam prendendo nossa atenção.

Esse ano também tivemos a editora Zarabatana entrando discretamente no mercado, publicando alguns títulos bem alternativos e quase subversivos, conseguindo chamar a atenção de várias pessoas e se infiltrando nas listas de melhores do ano com o título Pyongyang.

A Cia das Letras, uma editora tradicional, também entrou na dança dos quadrinhos e trouxe vários materiais memoráveis como os obrigatórios álbuns do Tintim e Persépolis, que aliás foi republicado em um volume único que vale muito a pena para quem não quis investir quando estavam lançando a série em quatro edições.

A Ediouro também não quis fazer feio e continuou com a Pixel, que encheu os olhos dos fãs com o material da Vertigo e da Wildstorm, sempre idolatrado, com certa razão, e sempre mal-tratado editorialmente por aqui. A editora trouxe desde as publicações mais clássicas, como o Monstro do Pântano, até materiais recentes como 100 Balas e Fábulas, que vinham sendo publicados por aqui por um preço impraticável em álbuns com um luxo desnecessário. Assim, com um trabalho competente e preços favoráveis, a Pixel está trabalhando aos poucos, lançando edições encadernadas, especiais e a excelente revista mix mensal Pixel Magazine.

Para fechar o ano, a Ediouro anunciou a compra da Desiderata, que vem lançando diversos materiais nacionais, principalmente clássicos como o Pasquim, mas também trazendo alguns sucessos inéditos como A boa Sorte de Solano Dominguez.

Fora das editoras, no mercado independente, algumas revistas também chamaram bastante a atenção como o caso da Cão, uma revista excelente que precisa ser lida por todos os fãs de quadrinhos, pois contempla mais do que um roteiro bem pensado, e sim todo um trabalho editorial e artístico e muito estudo. Outro destaque foram as curitibanas Avenida e a Quadrinhópole, além do excelente zine Eterno.

Uma editora que acaba ficando um tanto apagada, por mais que publique várias títulos mensais, é a Mithos. A editora lança excelentes quadrinhos italianos como J. Kendall: As aventuras de uma criminóloga e Mágico Vento, mas sempre fica na sombra da Panini, pois é responsável pela parte editorial dessa mega editora.

Então para fechar  vamos falar da Panini, que vai dar um pouco mais de trabalho. Esse ano a editora resolveu dominar o mundo, mas sem estrutura para tanto. Um dos maiores problemas foram os erros de português e tradução. Balões repetidos ou mesmo sem tradução, erros crassos como “sedo” com esse, seqüências de erros de conjugação verbal, nominal etc. Ou seja, muitas revistas estavam praticamente ilegíveis.

Mesmo assim, a editora merece vários destaques. Tudo bem que é fácil acertar alguns títulos quando se publica uma enxurrada, mas mesmo assim álbuns como Superman Crônicas, Batman Crônicas e as Bibliotecas Históricas da Marvel são trabalhos louváveis, marcantes e importantes não só para se conhecer a verdadeira origem dos personagens, mas  também pelo valor que isso tem como material de pesquisa. A editora também investiu na publicação de alguns títulos recentes, mas agora em formato de livro, como o primeiro volume dos Supremos, X-Men: E de Extinção, Crise de Identidade, Loki, SJA: Reino Sombrio e até uma versão “definitiva” do Cavaleiro das Trevas, reunindo a série original e a seqüência.

Nos materiais inéditos, o que chamou a atenção foi o mega-evento da Marvel, Guerra Civil, e a controversa série 7 Soldados da Vitória, um trabalho hermético, complexo, mas que dizem estar bem ligado com o futuro do Universo DC. Ainda tivemos as séries Grandes Astros: Superman  e Justiça, que alegraram os fãs mais conservadores do gênero, além dos mangás Lobo Solitário e Naruto. As revistas mensais sempre são deixadas sem muito destaque, contudo seria uma injustiça não falar da excelente Marvel Action, que conseguiu formar um mix muito bom com um dobradinha do Pantera Negra e o Demolidor, e Superman que melhou bastante depois do evento Um Ano Depois.

É isso, muita grana bem gasta em 2007 e que venham novos sucessos em 2008.

 



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