Pintores
de HQ
Muito
antes de Alex Ross despontar como astro da indústria
de quadrinhos exibindo seus quadrinhos pintados à mão,
muitos outros artistas produziram excelentes obras aplicando técnicas
das artes plásticas às páginas de hq. Na verdade,
o sucesso de Ross é um obstáculo para os demais artistas
que seguem por esse caminho. Basta ver o filtro crítico que
se formou para novas mini-séries como Loki e Guerras
Secretas; ambas foram analisadas pelos leitores e boa parte da
crítica pelos padrões estabelecidos por Ross.
A
partir de Ross surgiu um senso comum entre os leitores que acreditam
os quadrinhos feitos como as obras de arte clássicas expostas
em museus devem apresentar o máximo de “realismo”
figurativo para aproxima-los do conceito que o público em geral
tem de “Arte”. Esse juízo de valor é o mesmo
que ainda faz com que a maioria das pessoas torça o nariz diante
de uma obra de Munch, Picasso ou
Dali.
Nem
mesmo a arte de Ross é tão transparente para a realidade
como muitos pensam. A aplicação de cores e luminosidade
em seus desenhos, de fato, transmitem um impressão de verossimilhança
muito forte. Mas na composição e caracterização
de personagens seu estilo carrega o discurso dos quadrinhos retrô
que o tornaram famoso. Ali estão as referências de Ross
aos quadrinhos da Era de Ouro e de Prata, especialmente a artistas
como Alex Toth. Estas referências não
são gratuitas ou por simples homenagem; são a forma
de Ross interpretar os super-heróis que pinta, partindo de
uma fonte estilizada para criar algo épico.
Os
autores que apresentaremos aqui desenvolveram estilos pessoais a partir
de técnicas comuns. A maioria teve uma formação
acadêmica em escolas de arte e universidades e justamente por
isso puderam ver como as formas de representação estética
foram mudando ao longo da história da arte. Muitos deles expuseram
seus trabalhos em museus como legítimos expoentes das artes
plásticas na modernidade.
Ler
algum trabalho destes autores é indispensável para aqueles
que querem apreciar os quadrinhos como uma forma de arte dotada de
um horizonte de possibilidades virtualmente infinito.
Charles
Vess nasceu em Lynchburg, Virginia, em 1951. Graduou-se na
Virginia Commonwealth University e trabalhou como animador
comercial na Candy Apple Productions até 1976, quando mudou-se
para Nova York e começou a viver como ilustrador freelance.
Logo, sua arte rica em detalhes e altamente fantasiosa passou a estrelar
as páginas de revistas em quadrinhos, bem como os corredores
de museus.
No
começo dos anos 80 fez trabalhos para a Marvel, como a graphic
novel Homem-Aranha: Espíritos da Terra. Também são
dele algumas capas famosas do personagens naquela época.
Seu
trabalho mais relevante talvez seja a edição 19 de Sandman,
de Neil Gaiman, a primeira e única história
em quadrinhos a receber o World Fantasy Award por
melhor história curta em 1991. Em Sonho de uma noite de verão,
Morpheus cobra uma barganha antiga com Willian
Shakespeare.
Também
ilustrou Os livros da Magia # 03 e o livro Stardust, pelo qual recebeu
outro World Fantasy Award em 1999 como melhor artista.
Lançou
The Book of Ballads and Sagas, por sua própria editora,
a The Green Man Press. Em 1997, conquistou o Will
Eisner Award de melhor desenhista e arte-finalista. Em 2002
recebeu seu segundo prêmio Eisner pela graphic novel Rose,
escrita por Jeff Smith (autor de Bone).
O
inglês John Bolton usou o que aprendeu de arte
clássica para quebrar os tabus existentes, fazendo trabalhos
inovadores, diferentes qualquer outro, o que sempre lhe garantiu trabalho
e a atenção dos colecionadores. Após receber
seu diploma de Ilustração e Design, passou
a colaborar com todas as famosas revistas britânicas, ao mesmo
tempo em que enviava material para apreciação a diversos
editores.
Em
seu trabalho, vigoram o bizarro e o fantasioso, imersos em uma luminosidade
enigmática e densa.
Seu
começo nos quadrinhos se deu em 1980, trabalhando para o mercado
norte-americano. Ao lado de Neil Gaiman, produziu
a graphic novel A Paixão de Arlequim, a primeira edição
da minissérie Os Livros da Magia, além de diversos
especiais derivados do universo de Sandman. Também cultivou
uma parceria de sucesso com Chris Claremond, em várias
histórias do X-Men e na graphic novel para o selo Epic
da Marvel, Marada, A Mulher-Lobo.
Ilustrou
diversos livros de RPG para a editora White Wolf
(responsável por jogos com Vampiro: A Máscara
e Lobisomem: O Apocalipse). Além disso, produziu dezenas
de capas para a editora Dark Horse, especialmente para séries
como Aliens e Predador. Neste trabalhos, mostrou-se um dos melhores
artistas a adaptar aos conceitos do designer HR Giger, criador
do visual “biomecanóide” destes monstros.
Jon
J. Muth alcançou notoriedade, ao se unir ao roteirista
J. M. DeMatteis na realização da série
Moonshadow (1985-1987). Nesta história, Muth usa todo
tipo de técnica possível, muitas vezes fazendo combinações
inimagináveis em uma mesma página.
Juntamente
com Ken Willians ilustrou a fantástica Wolverine
e Destrutor: Fusão, uma das mais ousadas histórias
de super-heróis dos anos 80.
Mais
recentemente ilustrou Lúcifer: Nirvana.
Também
publicou um livro infanto-juvenil, As Três Perguntas
(Martins Fontes), no qual alia seus estudos do Zen a seu gosto por
Tolstoi para criar este livro simples e profundo sobre a compaixão
e o viver de cada momento.
Scott
Hampton naceu em 1959, em High Point, na Carolina do Norte,
Estados unidos. Quem despertou seu interesse por quadrinhos, foi seu
irmão mais velho – que já atuava no meio profissionalmente.
Scott
vendeu seu primeiro trabalho, Godfather Death para o selo
Epic Illustrated da Marvel em 1982. Seguiu no mercado de alternativos
até 1990 quando ilustrou o segundo número de Os Livros
da Magia. É também lembrado por ter pintado a graphic
novel de Batman: Gritos na noite, escrita por Archie Goodwin.
Foi
o artista da mini-série Lúcifer: A opção
Estrela-da-Manhã.
Hampton
costuma pintar suas páginas com aquarela mas não tem
pretensão nenhuma de fazer um trabalho foto-realista. Muito
pelo contrário, prefere usar uma variedade de efeitos de aguada
e pinceladas nervosas para imprimir o clima desejado à história.
O
trabalho mais recente de Hampton foi o número 9 da série
SOLO, da DC, destinada a autores de peso da indústria.
Segunda
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