O Diabo Veste Prada

Dia 22 de setembro estréia nos cinemas esse filme que, como todo lançamento da moda, já está fazendo um grande barulho na imprensa, com direito até a uma pré-estréia só para socialites. Além, é claro, dos comentários sobre a fábula em dinheiro gasta em figurino. O mais engraçado é que não precisavam se esforçar tanto para divulgar. O filme é muito bom, muito bom mesmo.

A temática sugerida pelo trailer ou pelas sinopses pode enganar um pouco. Muitos pensam que é mais um conto de Cinderela. Uma menina pobre, mal vestida, que ganha um banho de loja e fica glamurosa. Essa idéia não poderia estar mais errada. Se é possível fazer alguma associação com uma história já contada, seria com o filme Bonequinha de Luxo, com Audrey Hepburn.

A história mostra uma jovem jornalista, completamente desencanada com sua aparência, roupas e outras coisas que ela acha fúteis e que, na procura por seu primeiro emprego, a única vaga que encontra é como assistente da editora-chefe da maior revista de moda do mundo. Apesar de nunca ter ouvido falar em Miranda Priestly (interpretada por Meryl Streep) e de não ler a revista Runaway, Andy Sachs (Anne Hathaway) aceita o emprego pelas portas que ele pode abrir e garantir seu sonho de escrever para revistas e jornais sérios. Obviamente, para sobreviver nesse estranho mundo de moda e glamour, ela acaba tendo que se transformar e mostrar que pode ser quem quiser.

Muito além das roupas e da aparência, esse é mais um filme sobre a fugacidade da vida, sobre o que realmente é importante e como o excesso de trabalho não necessariamente leva à realização dos sonhos, mas à perda das coisas que amamos e para que ficamos sem tempo. Esse é um tema muito recorrente nos filmes de Hollywood. É engraçado que uma indústria tão competitiva e tão exigente goste tanto de pregar o contrário do que eles fazem. Talvez esses filmes sejam um sonho de quem trabalha com eles, ou talvez algo como o ditado: "Faça o que eu digo, não faça o que eu faço".

Mas, mesmo sem a lição de moral, o filme já vale pela atuação de Meryl Streep. Ela incorporou o papel de uma forma impressionante. Ela é sempre glamurosa, sempre mantendo uma postura inabalável, consegue ser extremamente exigente e ao mesmo tempo dar a impressão de que o que está pedindo é algo tão simples que qualquer criança poderia fazer. Para se ter idéia do que ela é capaz, ela pede para Andy que consiga em alguma horas o manuscrito do próximo livro de Harry Poter para as suas filhas. O mais interessante não é o pedido e sim como ela fala, usando um tom que nos dá a impressão de que ela está pedindo algo disponível em qualquer esquina.

Em uma entrevista para o programa americano do David Letterman, Anne Hathaway disse que quando conheceu Streep no set a atriz veterana lhe disse que gostava muito do trabalho dela e que essa era a única gentileza que ouviria dela até terminarem a gravação. De fato, a forma como ela mergulhou no personagem dificilmente permitia que ela fosse gentil com qualquer um.

A essa altura você deve estar se perguntando qual a relação de O Diabo Veste Prada com quadrinhos. Diretamente nenhuma, contudo podemos achar uma semelhança de temática e personagem. Se olharmos bem, a personagem de Meryl Streep é o próprio Batman, só que em vez de roupas de couro ela usa Prada (para quem não sabe é uma grife famosa de roupas). O Batman é um workaholic, que deixou de lado a vida particular para se tornar uma lenda e trata seu aprendiz da mesma forma que Miranda trata Andy.

Mas mesmo sem essa comparação, vale a pena ir aos cinemas, ver o filme, curtir a trilha sonora, que já de cara abre com KT Tunstall, se divertir e, porque não, aprender um pouco sobre o mundo da moda.

 

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