13 de Julho: Dia Mundial do Rock

Não é de hoje que se pensa em juntar quadrinhos e música, mas parece que de uns três anos pra cá os brasileiros têm acertado em cheio nesta mistura. Muitas iniciativas, independentes principalmente, levaram aos leitores excelentes amostras de como o roque tem histórias para contar e também como ele embala outras histórias.

Justamente por virem das várias cenas independentes que existem em todo o Brasil, estas revistas refletem mais do que um estilo de quadrinhos que nasce em cada uma delas. No caldo cultural em que estes autores estão, também são feitas músicas (em todas as vertentes do rock e outros estilos também), cinema independente, curtas, animações, grafite, etc.

Para todas estas tribos, existem quase sempre um fanzine, revista independente ou site que une os interessados na sua produção cultural. Assim, é natural que este ambiente elétrico e cheio de idéias se torne marca das histórias em quadrinhos roquenrol e atraia a atenção de tantos leitores, às vezes longe de um cenário assim, que desejam compartilhar este espírito roqueiro.

O veterano desta empreitada é, sem dúvida, Angeli. O cartunista sempre retratou personagens e situações típicas do rock, como ainda pode ser visto nas tiras Chiclete com Banana, publicadas na Folha de S. Paulo. São famosas as séries Livro de Esboços e República dos Bananas, que traz retratos de figuras em estilo roque, punk, grunge, new age e o que mais o artista puder imaginar.

Márcio Baraldi também esta nesta há bastante tempo. Seu personagem mais conhecido, Roko-Loko, comemora este ano dez anos de publicação na revista Rock Brigade e já é famoso entre roqueiros e leitores de quadrinhos. A comemoração destes dez anos veio na forma de diversos projetos que levaram o personagem para novas mídias, como jogos de computador e conteúdos de entretenimento em celulares. Assim, Baraldi se tornou mais uma vez pioneiro nos quadrinhos nacionais, explorando um mercado praticamente desconhecido de outros autores.

Quem também vem surfando nas novas tecnologias há bastante tempo é o jornalista baiano Chico Castro Jr, que transformou seu programa numa rádio independente em blog virtual e agora em pod cast. A proposta do Chico e os amigos que colaboram com o site é divulgar toda cena independente da Bahia e outros lugares para derrubar a idéia de que no nordeste só se produz e se ouve axé.

Em São Paulo, Fábio Moon e Gabriel Bá já fizeram em 2004 o álbum Rock' n' Roll em parceria com Bruno e Kako D'Angelo. Mas todos os trabalhos da dupla têm um clima que pode ser definido como roque, porque são embalados por alguma coisa que está no ar em volta dos personagens, como uma música.

A maior sensação dos últimos anos é a revista Mosh!. Histórias de todos os temas e estilos tentam expressar em quadrinhos o que se sente quando ouvimos as músicas que são a trilha sonora da vida de alguém. Desenvolvendo a idéia das figuras de Angeli, os autores da Mosh! retrataram muito bem os personagens que vivem em meio a relacionamentos tão complicados quanto as letras de algumas músicas. Aliás, a revista também traz um encarte com as verdadeiras figurinhas do underground para recortar e colar onde quiser, já que não deu para fazer o álbum.

Infelizmente, a revista está chegando ao fim. Por uma série de dificuldades editoriais, a revista não será mais publicada mas seus autores não vão deixar de produzir quadrinhos, contos, músicas e fanzines sobre tudo isso até que uma nova revista se torne viável.

Com isso o pessoal da Mosh! mostra como todas estas paixões do underground se combinam e sempre vão render frutos interessantes de se ver. Se o mercado formal de quadrinhos no Brasil não é como a maioria gostaria, a cena independente tão crescido a cada ano e com uma qualidade que não deve nada a nenhuma outra obra. E como no rock, não é preciso nenhum megashow para se apreciar o conteúdo, basta ter a história nas mãos.

 

 

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