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de Julho: Dia Mundial do Rock
Não
é de hoje que se pensa em juntar quadrinhos e música,
mas parece que de uns três anos pra cá os brasileiros
têm acertado em cheio nesta mistura. Muitas iniciativas,
independentes principalmente, levaram aos leitores excelentes
amostras de como o roque tem histórias para contar
e também como ele embala outras histórias.
Justamente
por virem das várias cenas independentes que existem
em todo o Brasil, estas revistas refletem mais do que um estilo
de quadrinhos que nasce em cada uma delas. No caldo cultural
em que estes autores estão, também são
feitas músicas (em todas as vertentes do rock e outros
estilos também), cinema independente, curtas, animações,
grafite, etc.
Para
todas estas tribos, existem quase sempre um fanzine, revista
independente ou site que une os interessados na sua produção
cultural. Assim, é natural que este ambiente elétrico
e cheio de idéias se torne marca das histórias
em quadrinhos roquenrol e atraia a atenção de
tantos leitores, às vezes longe de um cenário
assim, que desejam compartilhar este espírito roqueiro.
O
veterano desta empreitada é, sem dúvida, Angeli.
O cartunista sempre retratou personagens e situações
típicas do rock, como ainda pode ser visto nas tiras
Chiclete com Banana, publicadas na Folha de S. Paulo.
São famosas as séries Livro de Esboços
e República dos Bananas, que traz retratos de figuras
em estilo roque, punk, grunge, new age e o que mais o artista
puder imaginar.
Márcio
Baraldi também esta nesta há bastante
tempo. Seu personagem mais conhecido, Roko-Loko, comemora
este ano dez anos de publicação na revista Rock
Brigade e já é famoso entre roqueiros e leitores
de quadrinhos. A comemoração destes dez anos
veio na forma de diversos projetos que levaram o personagem
para novas mídias, como jogos de computador e conteúdos
de entretenimento em celulares. Assim, Baraldi se tornou mais
uma vez pioneiro nos quadrinhos nacionais, explorando um mercado
praticamente desconhecido de outros autores.
Quem
também vem surfando nas novas tecnologias há
bastante tempo é o jornalista baiano Chico
Castro Jr, que transformou seu programa numa rádio
independente em blog
virtual e agora em pod cast. A proposta do Chico e os
amigos que colaboram com o site é divulgar toda cena
independente da Bahia e outros lugares para derrubar a idéia
de que no nordeste só se produz e se ouve axé.
Em
São Paulo, Fábio Moon e Gabriel
Bá já fizeram em 2004 o álbum
Rock' n' Roll em parceria com Bruno e Kako
D'Angelo. Mas todos os trabalhos da dupla têm
um clima que pode ser definido como roque, porque são
embalados por alguma coisa que está no ar em volta
dos personagens, como uma música.
A
maior sensação dos últimos anos é
a revista Mosh!. Histórias de todos os temas
e estilos tentam expressar em quadrinhos o que se sente quando
ouvimos as músicas que são a trilha sonora da
vida de alguém. Desenvolvendo a idéia das figuras
de Angeli, os autores da Mosh! retrataram muito bem os personagens
que vivem em meio a relacionamentos tão complicados
quanto as letras de algumas músicas. Aliás,
a revista também traz um encarte com as verdadeiras
figurinhas do underground para recortar e colar onde quiser,
já que não deu para fazer o álbum.
Infelizmente,
a revista está chegando ao fim. Por uma série
de dificuldades editoriais, a revista não será
mais publicada mas seus autores não vão deixar
de produzir quadrinhos, contos, músicas e fanzines
sobre tudo isso até que uma nova revista se torne viável.
Com
isso o pessoal da Mosh! mostra como todas estas paixões
do underground se combinam e sempre vão render frutos
interessantes de se ver. Se o mercado formal de quadrinhos
no Brasil não é como a maioria gostaria, a cena
independente tão crescido a cada ano e com uma qualidade
que não deve nada a nenhuma outra obra. E como no rock,
não é preciso nenhum megashow para se apreciar
o conteúdo, basta ter a história nas mãos.