Superman
– O Retorno
Por
Willian Corrêa
Foi-nos
prometido que novamente acreditaríamos que um homem
pode voar. Isso foi verdade? Bryan Singer conseguiu trazer
de volta à tela grande toda a magnitude do primeiro
super-herói, o último filho de Krypton?
O filme,
desde que foi prometido pela Warner, foi muitíssimo
esperado, cercado por enorme expectativa e também,
como de praxe pelos pessimistas de plantão, por inúmeras
críticas e avacalhações, especialmente
quando Brandon Routh posou pela primeira vez com o novo
uniforme.
Fãs
mais indignados bradavam em alto e bom tom: “o símbolo
está pequeno demais”, “o vermelho está
muito escuro”, “onde já se viu o símbolo
estar no cinto e não na capa” e por aí
vai. Também reclamaram da escolha do ator: “Brandon
Routh? Nunca ouvi falar!”, mas parece que também
se esqueceram de que nos idos de 1978 ninguém também
ouvira falar de Christopher Reeve...
Com mais
esse peso sobre os ombros, de fazer um trabalho que não
ofuscasse, mas sim fosse digno do legado deixado por antecessores,
Bryan Singer, após ter brilhado com os pupilos de
Charles Xavier, assumiu a responsabilidade de abrilhantar
novamente também a aura do homem de aço.
E o fez
dignamente, há de se convir. O filme bateu “Batman
Begins” nos primeiros dias? Sim! Mais por curiosidade
ou vontade de revê-lo voando nos cinemas do que pelo
filme em si? Pode ser, já que a bilheteria não
rendeu como a Warner desejava. Mas o importante é
que o filme é bom sim. Não tem cenas como
de um Homem-Aranha brigando com o Dr. Octopus sobre um trem
ou de Wolverine empalando alguém, mas “Superman
– O Retorno” cumpriu seu papel.
No filme,
astrônomos descobrem um pedaço de um planeta
que poderia ter sido Krypton e Clark decide ir para lá.
Vai embora repentinamente e cinco anos depois retorna para
uma Terra que reaprendeu a viver sem ele, e mais, para uma
Lois Lane que assim como o resto do planeta seguiu com a
vida, está vivendo com outro homem e já tem
um filho.
Tudo
isso se localizaria cinco anos após “Superman
II”, em que ele enfrentara os três kryptonianos
libertos da Zona Fantasma, liderados pelo General Zod; Então,
se puxarem pela memória, no final daquele filme,
Lois se esquece de que Clark é Superman e por isso
ela desconhece sua identidade neste aqui também.
Os outros longas, “Superman III” e “Superman
IV”, foram sumariamente deletados, também por
terem sido considerados os mais fracos da franquia.
Mas não
é por dar seqüência a filmes antigos que
somos obrigados a tê-los assistido: o diretor Singer
encadeou de tal maneira os eventos que mesmo quem está
sendo apresentado ao herói pela primeira vez consegue
tranqüilamente compreendê-lo e acompanhá-lo.
E essa foi uma grande sacada: ao não desconsiderar
os longas antigos, este novo os homenageia, mas sem perder
sua própria identidade.
E homenagens
temos aos montes, não apenas aos outros filmes, mas
também aos quadrinhos: desde a maneira como o herói
segura o carro desgovernado, remetendo à clássica
capa de Action Comics nº 1 ou à tentativa de
ressuscitação cardíaca dele com o desfibrilador,
fazendo-nos lembrar de “Funeral Para um Amigo”,
até o começo com os créditos iguais
aos de 1978 ou o final em que ele sobrevoa a Terra tal qual
também naquele primeiro filme.
Tal relação
de homenagem com identidade própria também
permeou os atores: Brandon Routh (Clark Kent), Kate Bosworth
(Lois Lane) e Kevin Spacey (Lex Luthor) foram impecáveis,
cada um ao mesmo tempo lembrando seus antecessores, mas
imprimindo suas próprias marcas; o Luthor de Spacey,
por exemplo, é uma mescla daquele magnata poderoso
e inescrupuloso dos quadrinhos, com sutis e tênues
passagens de um humor negro, bem característicos
da atuação de Gene Hackman – que justiça
seja feita, imortalizou o personagem e também serviu
de base para a reformulação de John Byrne,
que o tirou da armadura e do colante roxo e verde, perdendo
aquela imagem de cientista maluco para a de um homem inteligentíssimo.
Portanto,
como consideração final, este foi um filme
que homenageou, a contento, o herói e toda a mitologia
que o circunda. E lembrando aos fãs mais puristas,
esta é uma adaptação da sua história
– que já beira os setenta anos – assim
como a série animada ou seriados como “As Aventuras
do Superman” com George Reeves, “Lois &
Clark” com Dean Cain ou “Smallville” com
Tom Welling. Todas têm sua própria identidade,
mas o importante é mantido: a essência do Superman,
essa sim, intocável em qualquer uma das mídias
em que ele se apresentou até hoje.
Sendo
assim, parabéns, Sr. Singer, fez-nos sim acreditar
novamente que um homem pode voar!