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Os vários mitos do Superman na Era Moderna dos super-heróis

Por Diego Figueira

Leia a Parte 2

Parte 3

 

Morte e Retorno do Superman (1992-1993)

 

A vida desta versão do Superman foi relativamente curta. Por mais que tenha caído no agrado dos fãs, o herói era constantemente comparado com outros heróis mais “modernos” que agradavam os adolescentes, como os X-Men e os primeiros quadrinhos da editora Image Comics que começavam a ser publicados.

 

Assim, com um grave problema de vendas e a imagem do personagem em baixa, a DC resolveu apostar em uma fortíssima campanha de marketing puxada pelo evento estrondoso que seria A Morte do Superman. Do ponto de vista criativo, foi o começo de uma onda de iconoclastia dentro da DC, principalmente, que promoveu (mais) uma reinvenção de personagens por meio de mortes, substituições, mudanças drásticas de comportamento e visual.

 

Por este processo passaram além do Superman, Batman (que ficou aleijado e foi substituído por um anti-herói violento em uma armadura hight-tech), Lanterna Verde (que se corrompeu com o poder, destruiu todos os seus companheiros da Tropa dos Lanternas Verdes e dos Guardiões do Universo, deixando apenas o jovem e inexperiente Kyle Rayner, escolhido ao acaso), Mulher-Maravilha (que teve seu posto de embaixadora amazona posto em questão e foi subsituída), entre outros. 

 

O trabalho envolveu uma enorme equipe de roteiristas e desenhistas, comandada pelo editor das três revistas mensais do Superman, Mike Carlin, e composta por Louise Simonson, Roger Stern, Dan Jurgens (o nome de maior destaque desta fase, por escrever e desenhar as principais histórias desde 1990 até 1999), Jerry Ordway, Jon Bogdanove, Tom Grummett, Jackson Guice, Dennis Janke, Rick Burchett, Doug Hazlewood, Denis Rodier e Brett Breeding.

 

Mas a pressa para aproveitar o impacto na mídia comprometeu o trabalho artístico, de modo que a série tem muitos pontos fracos e uma qualidade estética muito pequena.

 

O herói tombou diante de uma ameaça nova, com um plano de fundo muito inconsistente, um monstro enorme e animalesco batizado pela Liga da Justiça como Apocalipse. Sem qualquer complicação dramática, o combate é uma carnificina pura, que termina quando, subitamente, o herói descobre uma maneira de ferir o monstro. O desenrolar deste fato e as histórias que levaram ao retorno do Supeman, apesar de feitas com mais cuidado, não foram muito melhores. Quatro pretensos substitutos apareceram antes do verdadeiro voltar e quando um deles se revelou um antigo vilão planejando macular o nome do Homem de Aço, os demais se uniram a Kal-El para derrotá-lo.

 

O Superman voltou ao seu normal depois da história O Retorno do Super-Homem (publicada em três edições pela Abril em 1994) e as histórias que se seguiram não traziam muitas novidades artísticas, uma vez que os autores eram os mesmos de antes, apenas aproveitando os efeitos modestos da jogada de marketing de A Morte do Super-Homem. O melhor desta fase não são as histórias do Super-Homem em sim, mas a permanência de alguns personagens que surgiram no mega-evento, como o novo Superboy e Aço.

 

Zero Hora e final dos nos 90

 

Praticamente todo ano, seguindo uma regra do mercado de quadrinhos dos EUA nos anos 90, um evento de grande porte envolvendo várias revistas e vários personagens era desenvolvido. Os leitores do Superman testemunharam a destruição de Metrópolis acompanhada de uma praga genética que atacou todos os clones (havia muitos deles, ligados aos laboratórios STAR e o Projeto CADMUS), como o suposto filho de Lex Luthor e o próprio Superboy.

 

Por conta de uma série de desencontros nas vária reformulações da editora depois de Crise nas Infintias Terras, vários problemas de continuidade levaram os autores a desenvolver Zero Hora, uma nova história sobre crises na linha do tempo que serviu para dar mais um recomeço à continuidade da DC. Contudo, ela foi bem mais modesta e despretensiosa que a Crise original e não trouxe consigo nenhum tipo de reformulação de conceitos e personagens. Assim, as histórias do Superman continuaram por mais três anos seguindo o mesmo padrão até que mudanças drásticas viessem.

 

Seguindo ainda a regra para mega-eventos, após enfrentar, ao lado da Liga da Justiça, uma criatura chamada Devorador de Sóis, que quase consumiu a energia do Sol, o Superman se viu destituído de seus superpoderes, que eram resultado do processamento desta energia por seu organismo alienígena. Ao readquirir toda sua energia de uma vez, o herói passou por uma transformação ousada,  passando a ser uma criatura de pura energia e com habilidades diferentes por causa desta transformação.

 

Ao invés de voar, o novo Superman se deslocava como um raio; no lugar de visão de calor ele disparava raios; as balas não mais ricocheteavam em seu peito, mas atravessavam sua estrutura intangível; no lugar dos poderes de percepção clássicos (visão telescópica e microscópica, raios-x), novos tipos de onda eletromagnéticas eram captadas pelo Superman.

 

Uma série de outros usos interessantes, no mínimo, foram criadas pelo roteirista da revista da Liga da Justiça, Grant Morrison, que tinha uma bagagem de ficção científica mais significativa que os demais escritores.

 

No entanto a idéia foi muito mal recebida pelos fãs e, mais uma vez, apenas serviu para reafirmar a imagem clássica do herói quando esta foi retomada sob o slogan “Pronto para o novo milênio!” no especial Super-Homem Eternamente.

Enquanto isso, acontecia o que foi mostrado no especial O Casamento do Super-Homem, motivado pela série de televisão Lois & Clark: As Aventuras do Super-Homem, produzida pela Warner Bros., propietária da DC Comics. Mais uma trama feita às pressas e com intenções comerciais dominantes, teve sua qualidade prejudicada.

 

Foi nessas condições que o Superman chegou ao final da década de 90, bem longe do que havia sido planejado quinze anos antes, na reformulação pós-Crise. A proximidade do novo milênio parece ter motivado uma nova investida na editora, que mudou a equipe de responsáveis pelas revistas do herói. A nova equipe, encabeçada pelo roteirista Jeph Loeb iniciou uma fase que rendeu muitos debates entre leitores, com um movimento de retomada de elementos da Era de Prata, que a princípio pareciam contradizer a versão atual do herói.

Continua...

 



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