Wolverine
de Mark Millar e John Romita Jr.
Algumas vezes aqui no site falamos mal
do Wolverine, contudo, para ninguém dizer que o
personagem é injustiçado, quando sai alguma
coisa boa, nos vemos na obrigação de elogiar.
O grande inconveniente de um herói tão popular
como esse é que ele fica superexposto. Logan está
em umas 10 equipes, faz parceria com uns outros tantos
heróis, é professor do Instituto Xavier
e ainda tem suas aventuras solo. Se você sortear
uma revista da Marvel ao acaso, é grande a chance
de Wolverine estar na capa e uma chance maior ainda que
ele participe de alguma forma da história.
Com tanta história, é difícil
mesmo manter a qualidade e aquelas realmente boas vão
ficando cada vez mais raras. Infelizmente, a indústria
de quadrinhos americanos tem a prática de publicar
qualquer coisa que esteja vendendo, sem se preocupar se
a história é boa ou se minimamente vale
a pena ser contada. Os dois arcos do Millar em Wolverine
são uma exceção.
O primeiro arco parte de um principio
muito interessante: o que aconteceria se Wolverine, o
cara que mata qualquer um, que é praticamente imortal
(vale lembrar que no arco do Grant Morrisson ele foi levado
próximo ao sol e se regenerou de todas as queimaduras
durante a reentrada na atmosfera), se volta contra todos
os super-heróis? Simples: toda a comunidade super-humana
se tranca nas suas casa e fica tremendo de medo.
Tudo começa em Inimigo de Estado,
com um plano do Barão Von Strucker de dar um golpe
final com a Hidra, quando ele se associa ao Tentáculo,
que tem a magia que pode ressuscitar alguém sob
o seu comando e embosca Logan depois de seqüestrar
o filho de um casal de amigos dele. Em um processo complexo,
a sociedade ninja consegue matar e ressucitar Wolverine
sob o seu comando, com o intuito de matar o maior número
de supers possíveis para passarem para o lado do
Tentáculo, roubar a tecnologia de Reed Richards
e matar o presidente dos EUA.
Além dessa trama, temos uma conspiração
acontecendo dentro da Hidra. Gorgon, um habilidoso ninja
com o poder de transformar as pessoas em pedra com um
simples olhar, está assumindo o contorole do Tentáculo
e tem um caso com a mulher de Strucker, que lhe garante
que, se o marido falhar, ele será o novo líder
da Hidra. Como esperado, no final do primeiro arco, Wolverine
é derrotado, preso pela a SHIELD e Gorgon decapta
Strucker, tornando-se o novo Hidra Supremo.
O segundo arco, Agente da SHIELD, começa
com o ataque de Gorgon à SHIELD, em posse da tecnologia
de Richards e de um exército super-humano liderado
por Estrela Polar composto por todos que foram mortos
por Logan anteriormente. A investida derruba todas as
bases e quase mata Nick Fury. Por sorte, houve tempo de
desprogramar a mente de Wolverine e ele parte para matar
todo mundo. Sim, todo mundo, cada agente da Hidra e do
Tentáculo que estiver por aí.
No geral, apesar de algumas tramas entrelaçadas,
parece uma história normal de herói, nada
muito diferente ou inesperado. Mas o diferencial está
na narrativa de Millar. Ele conseguiu dar um ritmo tão
bom para a história que ele não só
prende sua atenção por 12 edições,
como também te empolga, coloca no clima, faz aquelas
coisas que normalmente seriam bobas se transformarem na
melhor diversão do mundo.
Tem duas edições excelentes
nessa ótima fase que não podem passar sem
comentário. Uma delas sintetiza todo o clima tenso
do primeiro arco. Todos acreditam que Logan irá
atacar o Demolidor, então Elektra fica de prontidão
para protejê-lo. Durante toda edição
vemos os super-humanos tentando se precaver de um ataque
e Elektra de sobressalto esperando o ataque. Wolverine
praticamente não aparece nessa edição,
mas, assim como os personagens, o leitor fica esperando
que ele vá saltar de algum lugar, fazer um ataque
surpresa a qualquer momento, algo que só acontece
nas últimas páginas.
A outra é o ataque de Logan ao
Tentáculo. Você tem uma edição
inteira com Wolverine matando ninjas. Só isso.
Parece idiota, eu sei. Mas se você acompanhou a
série até ali está em um puta clima,
está super empolgado com tudo e você vai
se ver achando essa história muito legal. É
demais ver Wolverine matar ninjas. Quer dizer, normalmente
não seria, mas Millar conseguiu fazer isso ficar
legal.
Outra coisa que garante a revista é
o desenho de John Romita Jr.. Ele tem um traço
bem estilizado, sintético, com aquela agilidade
do mangá, mas sem perder a complexidade e realidade
do traço tradicional. Depois de todos os anos que
ele passou desenhando o Homem-Aranha, ele aprendeu a dar
uma flexibilidade aos personagens. Eles se movem com graça,
precisão e velocidade. Você sente o movimento,
acredita nele. É o desenho perfeito para uma história
cheia de ação e ninjas por todos os lados.
Mesmo que você não seja
fã de Wolverine, dê uma chance para essa
série, ela pode te surpreender e você pode
reencontrar a graça de ler histórias de
ação.