Xeque-Mate

Hoje
em dia é difícil encontrar uma trama de ação
que seja empolgante, surpreendente e interessante. Umas
das falhas da maioria das histórias de ação
é que o roteirista acredita que se tiver lutas, mortes
e efeitos especiais suficientes, o resto não importa.
Então, o grande problema é encontrar uma história
de ação bem contada.
O filme
Xeque-Mate, que estréia nos cinemas dia 15 de setembro,
é uma exceção. Seu diferencial é
ser bem narrado, algo suficiente para torná-lo o
filme de ação do ano.
Se você
ler uma sinopse do filme, pode até parecer algo comum.
Josh Hartnett interpreta Slevin,
um sujeito que literalmente está tendo um dia péssimo,
mas que nem imagina como tudo pode piorar. Depois de perder
o emprego, a casa e encontrar a namorada lhe traindo, ele
vai visitar um amigo e, enquanto está na casa dele,
recebe a visita de uma dupla de capangas que o confundem
com o dono da casa e querem receber uma dívida de
jogo. Assim, sem querer, ele se envolve em uma guerra entre
dois poderosos criminosos: o Chefe (Morgan
Freeman) e o Rabino (Ben Kingsley).
No meio
dessa confusão, vemos Bruce Willis como
um personagem misterioso que está aconselhando os
dois chefes ao mesmo tempo. Willis, aliás, protagoniza
a primeira cena do filme, falando da Trapaça
de Kansas City. Uma cena que, além de fantástica,
faz a amarração de toda a trama do filme.
Outra
personagem muito interessante é Lindsey,
interpretada por Lucy Liu. Diferente dos
seus trabalhos normais, ela não está em um
papel de ação. Considerando esse filme como
uma história policial, se existe um detetive, este
é exatamente Liu. Um papel que não poderia
ser mais caricato. Ela é uma animada vizinha do amigo
de Slevin, um tanto hiperativa e fã de seriados policiais.
Então, quando se depara com a confusa situação
em que o personagem principal se meteu, ela aplica todo
o seu conhecimento detetivesco, inclusive algumas teorias
investigativas de Columbo (detetive de um famoso
seriado policial homônimo estrelado por Peter Falk)
para tentar descobrir tudo que está acontecendo.
Vale
um destaque para a escolha do nome do filme na versão
nacional. O título original, Lucky Number Slevin
tem um duplo sentido legal e tudo mais, mas ele capta apenas
uma faceta da história e acaba se tornando mais uma
peça do quebra-cabeça que é a trama.
Contudo, Xeque-Mate tem uma metáfora
bem interessante. Apesar do filme não ter nada a
ver com xadrez e, o único momento que aparece um
tabuleiro é em uma cena com Morgan Freeman, toda
a história tem elementos que lembram o jogo. No começo
do filme, Willis diz que tudo começa com um cavalo;
apesar dele estar falando de um cavalo de corrida, uma das
aberturas clássicas de uma partida de xadrez é
com um dos cavalos. Os chefes do crime da história
vivem isolados cada um em uma torre, que ficam uma na frente
da outra. Além disso, temos Slevin, um peão
perdido em um jogo que com o tempo revela que qualquer movimento
tem relevância.
No geral,
é um filme violento, mas muito inteligente. Assista,
curta a trilha sonora e os cenários cuidadosamente
escolhidos para intensificar o filme e não perca
nenhum um detalhe, pois não foram deixadas pontas
soltas nessa trama.