John Buscema


John
Buscema na verdade se chamava Giovanni Natale Buscema e nasceu em
11 de Dezembro de 1927, no Brooklin, em Nova Iorque. Suas primeiras
influências nos quadrinhos foram Hal Foster e Alex Raymond,
mas seu interesse por arte sempre esteve relacionado aos pintores
e ilustradores clássicos. Tanto que o que chamava sua atenção
naquelas histórias não era o enredo e sim a arte maravilhosa
de Foster e Raymond.
John
estudou no Colégio de Música e Arte de Manhattan, mas
durante um ano e meio, no período noturno, também cursou
desenho no Pratt Insitute. Muito aplicado, John além de estudar
com rigor, visitava todos os museus possíveis, observando o
trabalho de mestres como Michelangelo, Da Vinci, Rubens e Rafael.
Quando começou sua carreira de ilustrador profissional, foi
influenciado por outros artistas da década de 40 e 50, como
Al Dorne, Dean Cornwell, Norman Rockwell e Robert Fawcett, entre outros.
Em
1948, conseguiu um trabalho com Stan Lee na Timely Comics (futura
Marvel), onde ficou um ano como o caçula da equipe de artistas,
até que esta foi dissolvida. Neste período, finalizou
histórias policiais, de terror, romance e faroeste.
Depois
de uma breve passagem pelo exército em 1951 e de se casar em
1953, John continuou trabalhando como freelancer para Timely/Atlas
e outras editoras e agências. Durante toda a década de
50 ele experimentou várias técnicas e estilos a fim
de aprimorar sua arte constantemente. Entre os títulos que
fez estão Love Diary 31 a 39, Love Journal
14 a 22, Wanted Comics 47 a 53 e Westerner 28, 29,
31, 33-37 e 40, onde apareciam Nuggets Nugent, Wild Bill Pecos and
Lobo the Wolf Boy.
O
mercado de quadrinhos começou a encolher na década de
50, então em 1958 John mudou de área e foi trabalhar
com publicidade. Antes, porém, ainda fez muitos trabalhos para
outras editoras, como a Roy Rogers Comics (a partir de 1954, nas edições
74-97 e 104-108) e a Charlton, onde começou a ser reconhecido
como um dos maiores talentos da nova geração. Também
trabalhou para a Charlton, com seu primeiro contato com um super-herói,
Nature Boy.
John
passou oito anos trabalhando com publicidade e ilustração
comercial e retornou aos quadrinhos em 1966, com uma nova oferta de
Stan Lee para trabalhar com o universo de super-heróis da Marvel.
John desenhou uma edição de Nick Fury e três
do Hulk antes de assumir o posto de desenhista regular da
revista dos Vingadores, na edição 41. Permaneceu
no título até a edição 62 e se tornou
responsável pela criação do Visão, nas
edições 57 e 58.
Na
Marvel, em contato com Jack Kirby, Buscema alcançou a plenitude
de seu talento, incorporando o estilo dinâmico e explosivo do
Rei ao seu traço já sólido e bem definido. Suas
páginas passaram a mostrar uma narrativa mais poderosa, uma
composição mais arrojada e dramática.
Depois
da saída de Kirby da Marvel, Buscema foi convidado a assumir
vários dos títulos desenhados por ele, como Fantastic
Four (números 107 a 141) e Thor. (números
182 a 259), consolidando sua fama entre os desenhistas de super-heróis
da nova geração.
Em
1973, assumiu os desenhos de Conan, The Barbarian, na edição
25, depois da saída de Barry Windsor Smith do título.
No ano seguinte, deu início a uma nova série do bárbaro,
Savage Sword of Conan (A Espada Selvagem de Conan), uma revista
em formato gigante e em preto-e-branco. Buscema marcou época
redefinindo o visual de Conan, combinando o biótipo atlético
dos quadrinhos de Barry Smith com o gigante bárbaro das ilsutrações
de Frank Frazetta. Nessa época, o personagem se consolidou
definitivamente como um sucesso que atraía a atenção
do público de várias mídias.
O
trabalho de John nos títulos de Conan trouxe novos parâmetros
para quadrinhos de aventura, em termos de ação, dinamismo,
expressão e impacto das cenas. Depois disso, com passagens
por vários títulos da Casa das Idéias, incrementou
seu estilo de uma forma a se tornar mais ágil e produtivo.
Entre
estes títulos estavam Captain America, Captain
Britain (para Marvel Uk), Daredevil (Demolidor), Frankenstein
Monster, Sub-mariner and Doctor Doom (Namor e Dr. Destino,
em Giant-Size Super villain Team Up) , Howard the Duck,
O Coisa e Mulher-Aranha (em Marvel Two in One), Master
of Kung Fu (Mestre do Kung Fu), Red Sonja e Warlock.
Nos
anos 80, Buscema já não estava na linha de frente dos
quadrinhos mensais da Marvel, mas continuou com trabalhos de prestígio
em especiais como Super-Homem vs Homem-Aranha (o primeiro
crossover entre Marvel e DC), um especial com o Surfista Prateado
para a primeira edição da revista Epic Magazine,
uma história com o Rei Arthur, a adaptação para
os quadrinhos de Os Caçadores da Arca Perdida e uma inusitada
biografia de São Francisco de Assis.
John
retornou ao universo de super-heróis da Marvel em 1985, com
Avenger #255, e por lá permaneceu até a edição
300. Também retornou ao Quarteto Fantástico
na edição 296 e ficou até a 309.
Em
1991, John voltou a Savage Sword of Conan ao lado de Roy
Thomas, para dar novo ânimo ao personagem e em seguida ambos
criaram a graphic novel Conan, The Rogue. Mais tarde, em
1995, foi o artista do último número desta série,
o 235.
Em
1994, teve seu primeiro contato com o Justiceiro, em uma série
de histórias no título mensal do personagem, anuais
e graphic novels, inclusive a lendária Punisher Meets Archie.
Além disso, continuou fazendo diversos trabalhos especiais
para a linha 2099 e nos títulos em que fez história,
como Thor, Quarteto Fantástico e Surfista
Prateado.
A
essa altura, já na virada para sua sétima década
dedicada aos quadrinhos, John já se considerava aposentado
e fazia quadrinhos “apenas” por diversão, sempre
em projetos especiais. Em 2000 colaborou com um número da série
Batman – Gotham Nights e com Imagine Supeman de
Stan Lee. Além disso, concluiu um Elseworld com o Superman,
Sangue dos Meus Ancestrais, iniciado por Gil
Kane.
Falecido
em 10 de janeiro de 2002, aos 74 anos, Buscema foi o modelo de artista
de aventura e super-heróis dos anos 70 pra cá. Também
foi o principal desenhista do famoso livro How to Drawn the Mavel
Way (em português, Como Desenhar no Estilo Marvel),
que até hoje é uma referência para desenhistas
que aspiram entrar no mercado.