Howard
Chaykin
Howard
Chaykin nasceu em 1950 mas traz em seus trabalhos influências
de artistas gráficos da primeira metade do século XX
como Robert Fawcett, Al Parker e
outros. Além disso, boa parte de seu trabalho reflete a atmosfera
do jazz e outros elementos da cultura popular norte-americana do pós-guerra.
Chaykin
começou sua carreira de artista profissional como assistente
de Gil Kane e Neal Adams
no começo da década de 70. Seu primeiro trabalho solo
de destaque foi a adaptação de uma história de
fantasia chamada Fafhrd and the Gray Mouser, para a publicação
Sword and Sorcery da DC Comics. Também escreveu o
personagem de ficção científica Ironwolf
na antologia Weird Worlds (publicado no Brasil pela Brainstore
em 2004), que teve desenhos de Mike Mignola.
Para
a Marvel dividiu os desenhos da primeira história de Killraven
em Amazing Adventures # 18, em 1973. Em seguida passou a
fazer diversas tiras de aventura para esta editora, como Dominic
Fortune (que teve uma história publicada na revista Aventura
e Ficção # 10, da Abril).
Nestas
tiras, Howard explorou temas adultos que se tornariam sua marca em
histórias de aventura, ao lado de seu traço inconfundível.
Em 1976
desenhou a adaptação de Star Wars escrita por Roy
Thomas. Mas mesmo com o sucesso que a série lhe trazia,
Chaykin decidiu abandoná-la após dez edições
para se dedicar a trabalhos de temática adulta. Assim, passou
a publicar em revistas no estilo da Heavy Metal Magazine.
Em 1983
começou a sua série mais famosa, American Flagg!
Para a First Comics. Graças a American Flagg!,
Chaykin se tornou um dos nomes mais aclamados do mercado de quadrinhos
como autor independente e inovador. Juntamente com outros criadores
da First, Chaykin marcou época com os quadrinhos independentes
retratando um futuro distópico, após uma guerra nuclear,
pestes, fome e todo tipo de sofrimento. Nesse cenário, Reuben
Flagg, um ex-ator, traz a personalidade de seu personagem para a vida
real ao assumir o trabalho de representar o governo e forças
da lei na Chicago do século 21.
A série
mostrava o Brasil como uma potência mundial e este foi um dos
fatores que fez com que a série fosse sucesso por aqui, onde
foi publicada pela Cedibra e pela Abril, que também publicou
Time Square, uma série derivada de American Flagg!,
e Wolverine e Nicky Fury - Conexão Scorpio.
A partir
de então, esteve sempre associado a projetos de destaque, como
a revitalização do personagem O Sombra, em 1985, e também
do grupo de heróis de guerra Falcão Negro, em 1986.
Em 1988
criou sua obra mais controversa, a série em 12 partes Black
Kiss, para a Vortex Comics. Com esta séria, a abordagem
de Chaykin gerou o máximo de polêmica em torno da violência
e do erotismo combinados na aventura.
Em 1990
retornou à DC para produzir, ao lado do desenhista José
Luis García López, a minissérie em três
edições Twilight. Tratava-se de um resgate
de personagens de ficção científica espacial
da DC, em sua maioria dos anos 50 e quase sem relação
entre si, apartados do universo de personagens da editora.
Em seguida
veio a minissérie em quatro edições Power
& Glory para a Malibu Press.
Ao longo
de quase toda a década de 90 Chaykin não fez mais do
que alguns Elseworlds para a DC e passou a trabalhar com
cinema e televisão. Tornou-se consultor das séries The
Flash e Viper. Antes do final da década, produziu
uma minissérie para a Vertigo chamada Pulp Fantastic.
Em 2000
Chaykin e David Tischmann criaram uma nova série de aventura
para a Vertigo chamada American Century, situada no pós-guerra
e com muitas referências a Terry e os piratas e nos
quadrinhos de guerra que Harvey Kurtzman
fez para a EC Comics.
Ainda
para a televisão, foi consultor da série Mutant
X, inspirada no universo mutante da da Marvel.
De lá
pra cá Howard vem trabalhando muito e muitas vezes em títulos
de grande repercussão. Em 2004 ele adaptou a novela Gladiator,
de Philip Wylie, publicada em 1930, e que conta a história
de um homem que usa da ciência para ampliar as habilidades de
seu filho e transformá-lo num super-homem. O livro é
considerado grande influência para os quadrinhos, pois antecede
o Super-Homem e outros personagens. A adaptação, publicada
pela DC/ Wildstorm, recebeu o nome de Legend e inicialmente
seria desenhada por Gil Kane, mas como
ele faleceu em janeiro de 2000, acabou sendo desenhada por Russ Heath.
No mesmo
ano, lançou uma minissérie em seis edições
com os Desafiadores do Desconhecido, da DC. A história
não se passa no Universo DC que conhecemos, mas sim em um outro
em que super-heróis não existem. Também não
se trata da formação original do grupo, que tinha muitas
semelhanças com o Quarteto Fantástico (os Desafiadores
foram criados por Jack Kirby).
A graphic
novel Mighty Love trouxe mais um pouco da visão original
de Chaykin sobre heróis de aventura ao mesclar romance entre
combatentes do crime.
Pela
Vertigo ele lançou a muito comentada série Bite
Club (“Clube da Mordida”, uma brincadeira com Fight
Club- Clube da luta). A série mostra vampiros em disputa
ao estilo da máfia, com altas doses de violência (não
apenas física) ao melhor estilo de outras obras de Chaykin.
Para muitos é uma versão de Família Soprano com
vampiros.
Em 2005,
Chaykin inovou ao produzir um HQ para a Disney italiana. Century se
passa numa cidade imaginária do oeste do Texas, em algum momento
entre o primeiro vôo dos irmãos Wright (considerados
por lá como os pais da aviação) e o começo
da Primeira Guerra Mundial. Segundo o autor, é uma espécie
de faroeste sem tiroteios.
Em 2006
Chaykin escreveu e desenhou a minissérie Guy Gardner –
Collateral Damage. Uma das várias histórias que
vêm restabelecendo a Tropa dos Lanternas Verdes no Universo
DC, esta mini, além de revitalizar a personalidade de Guy Gardner
traz retorno de Gnort, o mais atrapalhado Lanterna Verde que já
existiu.
Recentemente
assumiu os desenhos de Hawkgirl (antiga Hawkman),
título original da Mulher-Gavião após os eventos
da Crise Infinita na DC, com roteiros de Walt
Simonson. Porém, Chaykin abandou o projeto logo para desenhar
a nova revista do Blade para a Marvel.