Joe
Kubert
Sem
sombra de dúvida pode-se dizer que Joe Kubert dedicou toda sua
vida aos Quadrinhos. Ele fez de tudo, desenhou, escreveu, editou e ensinou
uma nova geração de artistas.
Filho
de imigrantes poloneses, nasceu em 1926 na Inglaterra, mas logo sua
família mudou-se para o Brooklyn em Nova York. Sua carreira começou
cedo, aos 11 anos e meio teve seu primeiro trabalho, Volton,
publicado pela Cat Comics do editor Harry Chesler,
recebendo cinco dólares por página. Depois conseguiu um
emprego de ajudante no estúdio de Will Eisner,
onde cuidava da limpeza e apagava o lápis nos trabalhos arte-finalizados.
Em
1953, baseando-se em algumas revistas 3-D que tinha visto na Europa
durante a guerra criou a primeira revista de história em quadrinhos
em 3-D. Junto com seu amigo Norman Maurer, produziu essa revista com
uma aventura do Mighty Mouse (Super Mouse), atingindo
a vendagem de mais de um milhão e duzentas mil cópias
só com o primeiro exemplar.
Esse
trabalho lhe garantiu dinheiro e projeção no mercado editorial
para a publicação de Tor,
um personagem pouco lembrado atualmente, mas considerado por Kubert
o seu preferido. Tor, um homem das cavernas, tinha
muitas semelhanças com Tarzan, herói
da infância de Joe.
Sua
habilidade de desenhar animais e cenários selvagens de forma
vibrante, realista e com uma incrível sensação
de movimento foi reaproveitada quando foi chamado pela DC
para revitalizar o Tarzan. Ele recuperou a fama e a
qualidade desse personagem que tinha perdido o rumo e havia muito não
fazia sucesso como quando estava nas mãos de Hal Foster,
Burne Hogarth e Russ Maning. O segredo
de Kubert, simples, muita pesquisa, trabalho duro e um retorno às
origens do herói.
Kubert
estreou no número 207 de Tarzan fazendo a adaptação
do primeiro romance de Edgar Rice Burroughs com o título "Origin
of the Ape Man". Escrevendo, desenhando e editando a série
ao longo dos anos 70, Kubert alcançou o ápice de sua habilidade
criativa e produziu algumas das melhores ilustrações de
sua carreira.
Em
suas pesquisas para a revista, Kubert se concentrou na obra original
de Burroughs para elaborar os roteiros, enquanto resgatava toda a energia
dos artistas clássicos dos quadrinhos do personagem. Trinta anos
antes de Kurt Busiek fazer o mesmo com Conan, o Cimério,
Kubert demonstrou um cuidado raro na adaptação para os
quadrinhos.
Em
2005, a editora Dark Horse começou a republicar
nos EUA todas as histórias do Tarzan de Joe
Kubert em uma série de encadernados com capa dura. Até
agora dois volumes de 200 páginas já foram lançados,
a um preço médio de 50 dólares. A editora deu uma
atenção especial à restauração da
cores originais de Tatjana Wood.
Com
Tarzan a arte de Kubert ficou conhecida no mundo todo
e lhe garantiu uma extensa lista de trabalhos que até hoje não
para de crescer. Por sua mão passaram Superman,
Flash, Batman, Gavião
Negro, Tex, entre outros personagens clássicos.
Além de emprestar seu traço para personagens clássicos,
ele teve uma produção própria de alta qualidade.
Kubert
também escreveu seu nome na história dos quadrinhos de
guerra. Em 1959, junto com o escritor e editor Robert Kanigher, deu
vida ao Sgt. Rock
e a Companhia Moleza. Esses cativantes heróis
de guerra continuaram sendo publicados por 30 anos até a década
de 90. Mais recentemente o título foi retomado nas mãos
de Brian Azarello e com o desenho de Kubert
(no Brasil publicada pela Opera Graphica).
Seguindo
essa linha e a parceria de sucesso com Kanigher em 1965 foi lançada
pela DC Ás Inimigo, outra fantástica
história de guerra, agora focada em um aviador (essa edição
foi republicada recentemente pela Opera Graphica).
Ainda
falando sobre guerras, em 1996 Kubert escreveu e desenhou o documentário
ilustrado Fax From Saravejo, onde contou a história
de seu amigo e agente Ervin Rustemagic. Ervin e sua família ficaram
presos na zona guerra na Bósnia entre 1992 e1994 e a única
forma de comunicação com o resto do mundo era através
de fax. Mais recentemente ele lançou a graphic novel YOSSEL:
APRIL 19, 1943, centrada no Holocausto em um formato “O que
aconteceria se...”
Desenhar
e escrever diversos clássicos dos quadrinhos não foi suficiente
para Kubert. Ele foi por 25 anos editor da DC Comics
e em 1976 decidiu garantir o futuro dos quadrinhos para as gerações
seguintes abrindo a Joe Kubert School of Cartoon Art,
em Nova Jersey. Essa empreitada ousada e inédita tornou-se
um enorme sucesso e a escola até hoje continua preparando excelentes
artistas para o mercado de quadrinhos. Pela equipe de professores da
escola já passaram grande nomes como Dick Giordano,
Lee Elias, Bill Sienkiewicz e atualmente
conta no seu quadro docente com Irwin Hasen, Hy
Eisman, Adam e Andy Kubert,
o brasileiro Sérgio Cariello entre outros. Alguns
dos melhores artistas da atualidade passaram pela escola de Kubert,
como Steve Bissette que,
junto com Alan Moore foi responsável pela revitalização
do Monstro do Pântano.
Principais
Influências:
Hal
Foster (“Príncipe Valente”)
Alex Raymond (“Flash Gordon”)
Milton Canniff (“Terry e os Piratas”)