Artistas

Jim Starlin

O nome de Jim Starlin virou praticamente um sinônimo de aventuras espaciais. Ele próprio admitiu que como desenhista não se sente muito entusiasmado desenhando cenários e personagens do nosso dia-a-dia, preferindo deixar a imaginação voar rumo às estrelas. É até uma feliz coincidência que ele tenha a palavra star no sobrenome.

James P. Starlin nasceu em 9 de outubro de 1949, em Detroit. Começou sua carreira profissional na Marvel, em 1972, sob a direção dos editores Roy Thomas e John Romita. Seu primeiro trabalho na editora foi como arte-finalista do título original do Homem-Aranha. Em seguida desenhou três edições de Homem-de-Ferro, onde já introduziu sua mais famosa criação, Thanos, uma homenagem a Darkseid, criado por Jack Kirby na DC Comics.

Quando foi chamado para desenhar a edição número 25 do título do Capitão Marvel, que já estava para ser cancelado, Jim conseguiu mudar a idéia dos editores e na edição seguinte assumiu também os roteiros. Então ele deu início à elaboração da rica cosmologia da Marvel, ditando o modelo para todos os seus criadores.

Esta empreitada continuou com a revitalização de um personagem do segundo escalão da editora, criado por Stan Lee e Jack Kirby: Adam Warlock. Com estes dois personagens Starlin construiu praticamente toda sua carreira dentro do Universo Marvel, estabelecendo entre eles uma relação que foi mote para muitas aventuras em que o destino de toda criação esteve em jogo.

Depois de um tempo, a revista do Capitão Marvel estava novamente ameaçada de cancelamento. Foi então que Starlin decidiu encarar o problema de frente e criou a graphic novel A Morte do Capitão Marvel. Foi um dos primeiros casos de morte de um super-herói de quadrinhos e um dos poucos que ainda são mantidos.

No final dos anos 80, Starlin assumiu os roteiros do título do Surfista Prateado, substituindo Steve Enlglehart. Em seguida, ele deu continuidade à saga de Thanos iniciando a primeira minissérie da Infinito.

Em 1982, Starlin começou a publicação de sua série autoral, Dreadstar, pelo selo Epic da Marvel. A saga mostrava Vanth Dreadstar, único sobrevivente de toda a Via Láctea, que lutava contra a tirania do Lord Papal, líder da Instrumentalidade, uma espécie de organização religiosa que se opunha politicamente à Monarquia em todo o universo.

No Brasil, a saga foi publicada pela Editora Abril, nas seis edições da revista Epic Comics, que trazia os quadrinhos do selo da Marvel. Em seguida, a Editora Globo publicou as continuações, respectivamente, com duas graphic novels (Dreadstar e O Preço) e uma revista mensal de dez edições. Infelizmente, devido a problemas na negociação com a editora norte-americana, os leitores brasileiros ficaram sem ver o final deste excelente saga.

Em seguida, na linha de publicações autorais, veio Gilgamesh II. A história passada num futuro de alta tecnologia é uma releitura do mito babilônico. Ao lado de Dreadstar, é uma das obras que melhor reflete a imaginação de Starlin em criar uma nova cosmologia replete de conteúdo, com referências culturais e filosóficas bem elaboradas.

Como roteirista, Starlin tem alguns trabalhos diferentes da ficção científica. Ele é co-criador de de Shang Chi, o Mestre do Kung Fu e desenhou as primeiras histórias do personagem. Ele também fez o roteiro de uma minissérie do Justiceiro desenhada por Bernie Wrightson.

Durante um tempo, foi roteirista do Batman, onde ficou mais conhecido por ter matado o segundo Robin, Jason Todd, em Morte em Família. Mas Starlin também é responsável por uma das mais cultuadas minisséries do Homem-Morcego, O Messias. Esta história, também desenhada por Bernie Wrightson, foi a primeira a fazer referência à marca registrada da narrativa de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, o uso da televisão para narrar eventos da trama.

Em 1988, ao lado do desenhista em ascensão Mike Mignola, criou Odisséia Cósmica, uma das grandes sagas da DC estrelada pela Liga da Justiça e que girava em torno do conflito entre Apokolips e Nova Gênese. A série tem muitos pontos altos, que ficaram para a história da DC, como destruição de um planeta por descuido do Lanterna Verde John Stewart e Batman salvando o universo como o conhecemos com uma chamada feita de um orelhão!

Nos anos 90, Starlin publicou algumas minisséries para editoras como a Malibu e a Slave Labor Graphics. Além disso, ele de vez em quando retornava com algum projeto para os heróis cósmicos da Marvel que ajudou a desenvolver. Foi a assim com o título do novo Capitão Marvel, a revista mensal de Thanos e as minisséries Abismo Infinito e Universo Marvel – O Fim.

Infelizmente nenhuma delas esteve à altura dos trabalhos dos anos 80. Principalmente porque Starlin passou a deixar de desenhar cenários espaciais para que estes fossem feitos pela equipe de colorização por computador. Dessa forma os desenhos de Starlin perderam a maior parte de seu charme.

Seus trabalhos autorais mais recentes parecem ter agradado mais ao público e à crítica norte-americana. Em 2004, pela editora Devil´s Due e pela Dynamic Entertainment, ele publicou a graphic novel Cosmic Guard. Nela vemos a história de Ray Torres, um órfão de 12 anos que teve uma vida de cão e está pronto para se suicidar, saltando do alto do telhado do orfanato onde vive, quando é escolhido por um campeão de outro planeta para ajudá-lo a salvar sua população de uma raça invasora. "Ray se transforma, de um órfão indesejável de 12 anos, num herói universal de 16 anos. É uma revista adulta sobre um garoto”, disse Starlin.

Em janeiro de 2007, a Dynamic Entertainment anunciou a publicação de uma nova graphic novel escrita e desenhada por Jim Starlin chamada Kid Kosmos que é a continuação de Cosmic Guard.

Ele também está escrevendo uma nova versão do título de ficção científica da DC, Mystery in Space, que está sendo desenhado por Shane Davis. A revista traz novas versões do Capitão Cometa e da Aberração Cósmica lutando contra um inimigo comum, a Corporação da Luz Eterna.

   


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