Batman - O Cavaleiro das Trevas (Filme)



Sempre que elogiamos filmes de super-heróis acabamos fazendo uma ressalva, mesmo que inconsciente, dizendo que o longa em questão é um “bom filme de super-heróis” ou a “a melhor adaptação de quadrinhos”. Separando dessa forma dentro de um gênero “menor”, acabamos dizendo que apesar de acharmos o filme muito bom, ele não poderia competir com outros filmes. E, pra ser sincero, a maioria das adaptações que vimos realmente não pode ser colocada no mesmo patamar de ganhadores do Oscar, por exemplo.
Agora Batman- O Cavaleiro das Trevas veio para mudar isso. Batman é um filme excelente, sem a menor ressalva. Esse novo filme surpreenderá muito tanto o público quando a crítica, pois é excelente em todos os sentidos. Um roteiro muito bem elaborado, uma direção genial, atuações excelentes, um clima de suspense alucinante e cenas de ação bem produzidas. O impacto positivo tem sido tão imediato que se fala até em um Oscar póstumo para Heath Ledger por sua atuação como Coringa.
O grande trunfo desse filme é contentar “gregos e troianos”. Os fãs não podem reclamar, pois as concessões feitas para os personagens serem adaptados para o cinema funcionam perfeitamente. Aqueles que não conhecem ou não gostam de quadrinhos irão encontrar algo bem diferente, um verdadeiro filme de suspense. Aliás, Batman – O cavaleiro das trevas será capaz de mudar a opinião de muita gente e quebrar diversos preconceitos que surgem quando se fala em super-heróis.
Outra boa sacada é que a história é continuação do primeiro filme, mas sem se apegar demais nele. Quem não assistiu, mas conhece o conceito básico do Batman vai acompanhar a história sem problemas. Pode estranhar o fato de não aparecer a Batcaverna ou mesmo a Mansão Wayne que foram destruídas por Ra´s Al Gul em Batman Begins. Mas no geral tudo se explica.
A história já começa muito bem com um assalto a banco feito por um grupo de palhaços. Logo nessa primeira cena vemos que esse é o verdadeiro Coringa dos quadrinhos. Planos simples mas funcionais, pequenas pistas, grande imprevisibilidade devido a sua insanidade e, acima de tudo, muita crueldade.
É inevitável o Coringa roubar a cena. O personagem, além de bem interpretado, está muito bem construído. Desde as pequenas sacadas de ninguém saber quem realmente é o Coringa - talvez até ele mesmo não saiba - até suas piadas cruéis que só tem graça se você limar todo o seu senso de moral.
Vale dizer que ele é um personagem extremamente violento. As coisas que ele faz são arrepiantes. Felizmente, Christopher Nolan, o diretor do filme, fez muito bem o seu trabalho e encontrou a medida exata entre a crueza, a maldade e o bom gosto estético. As cenas são de arrepiar, contudo, você não precisa fechar os olhos nem nos piores momentos, pois, olhando ou não a cena acontece na sua cabeça, dez ou vinte vezes mais intensa do que está sendo mostrado na sua frente.
Aliás, o diretor acertou também no ritmo do filme. Com duas horas de meia de duração sempre existe a possibilidade da história se tornar cansativa, mas longe disso. É interessante notar, inclusive, que o filme segue em um ritmo bem forte e quando está para completar umas duas horas ele se acalma e dá até uma sensação de final, contudo, esse é apenas um breve respiro para a melhor parte da história.
Outro grande trunfo do filme é que ele não é apenas uma seqüência excelente de cenas de ação e suspense, ele traz todo um conceito por trás que manterá sua cabeça no filme por muito tempo depois.
O eixo da história gira em torno do promotor público de Gotham, Havey Dent (interpretado por Aaron Eckhart), o Coringa e Batman (novamente vivido por Christian Bale). O primeiro é o grande símbolo de que Gotham pode ser uma cidade melhor. As pessoas acreditam em Dent, ele é conhecido como o Cavaleiro Branco da cidade. Mesmo Bruce Wayne o vê como o herói de que Gotham precisa. Enquanto isso Batman está no espectro oposto. Ele vive nas sombras, cresce com o medo dos criminosos, inspira erroneamente algumas pessoas a agir como ele e elas acabam se ferindo. Ele é o herói que Gotham realmente tem, um Cavaleiro das Trevas.
No meio disso está o Coringa, uma aberração, um criminoso que não é movido pelos mesmos desejos da maioria. Alguém sem regras ou limites. Alguém cujo único propósito é atormentar os outros até que eles se revelem tão loucos quanto ele.
O Coringa diz que o Batman foi o princípio de tudo. Uma aberração que atrairá outras, ele é só o começo. Enquanto espalha sua onda de terror pela cidade ele tenta levar Harvey Dent ao limite para provar que até o melhor cidadão de Gotham pode se tornar um louco como ele.
O filme testa nossa moral, nos coloca em situações limite nos forçando a pensar o que faríamos. Seríamos fortes como Batman ou loucos como o Coringa?
Dizer mais pode estragar a experiência que é ver esse filme. No geral é importante dizer que Batman – O Cavaleiro das Trevas estabeleceu um novo padrão de qualidade para filmes de super-herói. Será muito difícil superá-lo, só resta ver se os outros filmes conseguirão pelo menos ficar a altura e mostrar paratodos que o mundo dos quadrinhos possui histórias muito boas para contar.