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DALLAS – A SAGA DA FAMÍLIA EWING

Série que fez sucesso na década de 1980 completa 30 anos de seu lançamento

Por (*)

Dinheiro é garantia de felicidade? Para a Família Ewing, dona de uma das maiores fortunas dos Estados Unidos, a resposta é não. Envoltos em intrigas, sexo, opulência, disputas por poder, ganância e cobiça, muitas vezes desenfreadas, o dia-a-dia desta família do Estado Norte-Americano do Texas pode ser tudo, menos feliz na sua totalidade. Este era o panorama geral de um dos seriados mais famosos dos EUA durante a década de 1980: DALLAS. A série é uma das novidades de fim de ano da RedeTV, que estreou a produção em sua grade no último dia 25 de outubro, no ano em que se comemoram 30 anos da estréia da produção na TV americana.

Tendo como centro da trama uma família rica e poderosa, que construiu um império através da exploração de petróleo, Dallas enfoca a saga dos Ewing, tentando mostrar como uma família poderosa lida com a riqueza, o conforto, os privilégios e também os desprazeres e contratempos provenientes desse status na sociedade americana. Claro que, se imperasse os bons costumes, a ética, honestidade e integridade, muitos problemas poderiam ser evitados. Mas os membros da família Ewing costumavam atrair problemas, quando os problemas não corriam atrás deles.

O astro principal da série era John Ross Ewing Junior, popularmente chamado de JR para simplificar. Canalha, sem escrúpulos, ganancioso, prepotente, megalomaníaco, entre outros adjetivos, ele não deixa nada ficar em seu caminho. Dirige a Petróleo Ewing, poderosa companhia petrolífera independente do Estado do Texas, fundada e desenvolvida por seu pai, Jock Ewing. JR acredita que o poder do dinheiro pode tudo, não aceita ser contrariado e se acha o único da família que realmente merece herdar o legado construído por seu pai.

Sua fama nos negócios é a de um executivo altamente bem-sucedido, mas todos que o conhecem também sabem de seu modo de dirigir as coisas. E este modo, muito frequentemente, o coloca em rota de colisão com outros empresários de grande porte, criando um número de rivais e inimigos potenciais extremamente grande, que adorariam ter a chance de se vingar dele. Negociatas, suborno, pressão política, trapaças e toda sorte de golpes baixos eram utilizados por JR na medida da necessidade para obter o que queria. E, se preciso fosse, ele passava a perna até mesmo na própria família, que também não morria de amores por ele.

E durante toda a série assim foi. Por mais que os Ewings tentassem levar uma vida sem maiores problemas, a riqueza que possuíam lhes reservava grandes responsabilidades e problemas potenciais. Não apenas pelas patifarias que JR aprontava, de um modo ou outro, os demais membros da família também tinham lá seu rol de problemas. Amados e respeitados por muitos, odiados e temidos por outros, não foi raro ver membros da própria família se perguntarem se a riqueza era uma benção ou uma maldição, tamanhos os problemas que surgiam no seu caminho.

E os membros da família tinham seus pontos positivos e negativos. Se JR era um patife nos negócios, na vida conjugal ele não era muito melhor: mulherengo, ele dormiu com inúmeras mulheres durante toda a série, fosse por prazer, por necessidade de conquistar, etc. Tamanha infidelidade deixou sua esposa Sue Ellen extremamente rancorosa, além de se entregar à bebida em diversas oportunidades, chegando até a ser internada por causa disso.

Bobby, o filho mais novo, tinha como pontos positivos a força de caráter e a honestidade, mas era também pavio curto, e não levava desaforo pra casa, partindo logo para a porrada. Lucy, a neta de Jock, era a típica “patricinha” rica: bonita e fútil. E Ray, que mais tarde viria a ser descoberto ser um filho bastardo de Jock, era machista e prepotente, apesar de sua pinta de bom moço, além de ser um excelente empregado do rancho Southfork. E com os defeitos de cada personagem potencializados em momentos cruciais, brigas e rixas eram comuns na série, por mais que a família tentasse se manter unida.

Mas a grande rivalidade na série, em toda a sua duração, é a rixa Barnes X Ewing. Iniciada décadas atrás, quando Jock Ewing e Digger Barnes eram grandes amigos. Bastou a riqueza brotar do solo com a recém-fundada companhia de petróleo para a inimizade começar. A criação da companhia foi o fruto do trabalho de Jock, seu irmão Jason, e Digger. Mas Jason tinha um temperamento tempestuoso, e desentendeu-se com seu irmão, o único que sabia manter a cabeça fria para lidar com os números astronômicos que passariam a manusear no negócio da exploração petrolífera. Jason saiu de Souhtfork e lançou-se pelo mundo, tentando achar o seu caminho.

Já Digger, por sua vez, tinha um temperamento mais instável e começou a entregar-se à bebida, começando a causar confusões por isso. Com os desentendimentos, Jock acabou concentrando toda a companhia em suas mãos, tendo de trabalhar duro para evitar que desmandos cometidos por Jason e Digger não pusessem tudo a perder. Após sua partida, Jason nunca mais retornou. Já Digger, por sua vez, passou a ter uma vida desatinada, reflexo da bebida, tornando-se um alcoólatra. Mas, nunca reconhecendo seus problemas com a bebida, sempre preferiu culpar Jock, declarando-o “ladrão” por ter roubado sua parte na companhia que passou a se chamar Petróleo Ewing (Ewing Oil, no original), e ainda de sabotar sua vida, por nunca conseguir sucesso no que quer que tentasse, o que era, naturalmente, mais um dos efeitos nefastos de seu alcoolismo.

Apesar disso, Digger constituiu uma família, e ele passou toda a sua raiva, frustração, e desejo de vingança a seu filho Cliff, que sempre jurou que um dia faria os Ewings pagarem pelo que haviam roubado de seu pai, além de denegrirem sua imagem. Para Cliff, seu pai sempre teve razão, ele fora enganado e roubado por Jock, que construiu um império que deveria ser dele, e isso virou a meta de vida de Cliff.

Como desgraça pouca é bobagem, Pamela Barnes, filha de Digger, não ligava para estas coisas, e foi só se casar com, vejam só, Bobby Ewing, para décadas de revanchismo serem trazidas à tona, de ambos os lados. Pelo lado dos Ewings, Jock e JR eram terminantemente contra Bobby se casar com uma Barnes e uma “pobretona”. Só Dona Ellie não se importava com isso. Do lado dos Barnes, Digger e Cliff também condenaram veementemente a decisão de Pam, chegando a dizer que ela teria se “vendido” aos Ewings, e que essa seria mais uma jogada suja e sórdida da família trapaceira. Mas Bobby não deu a mínima para as broncas de todo mundo, assim como Pamela, e casaram-se assim mesmo. E mais um round estava se iniciando nesta guerra particular...

A princípio Dallas não seria um seriado. De fato, a série iniciou-se em abril de 1978, como uma minissérie de 5 episódios, cada um fechado em si mesmo, onde eram mostrados os elementos que depois se tornariam a marca registrada da série, começando, claro, pelo casamento “proibido” de Bobby e Pamela, que serviu de estopim para todo tipo de contratempos. A resposta da audiência foi boa, e assim, em 23 de setembro daquele mesmo ano, Dallas iniciava sua exibição pela rede CBS como um seriado regular. Algumas pequenas mudanças ocorreram da minissérie para o formato seriado, mas nada que comprometesse a integridade da trama.

Dallas, como seriado, diferenciava-se dos demais programas por manter os episódios encadeados em sequência, tal como as novelas brasileiras, com acontecimentos de um episódio tendo seguimento nos próximos, e os destes se desdobrando mais para a frente. Para os produtores, não era crível acontecer algo como Bobby ser seqüestrado numa história, e na semana seguinte todos agirem como se nada tivesse acontecido antes.

Dallas conquistou a audiência americana, sendo exibido, originalmente, nas noites de sábado, horário que, posteriormente, foi mudado para as noites de domingo. Do bom resultado obtido da exibição da minissérie original, o seriado mostrou todo o potencial da criação de David Jacobs. Exibido pela rede CBS em horário nobre, Dallas tornou-se uma das séries mais assistidas durante toda a década de 1980, sendo exportada para nada menos do que 130 países, e exibida em cerca de 70 idiomas, fosse dublada ou legendada. Foi o primeiro seriado americano a ser distribuído globalmente, batendo todos os recordes de licenciamento de uma série para exibição na época, números que ainda hoje são muito expressivos.

A audiência de Dallas flutuou ao longo de seus 14 anos de exibição. Em 1978, a série ocupava a 44ª posição no ranking americano das produções televisivas mais assistidas. Pouco tempo depois, já obtinha a 6ª posição, e por vários anos, esteve sempre no “TOP 10” das séries mais vistas na TV estadunidense. A partir de 1986, o show começou a perder um pouco da sua força e Dallas foi caindo no ranking, mas ainda mostrando considerável popularidade. Em 1991, ano da última temporada, a série ostentava a 61ª posição, e seu horário de exibição, a esta altura, tinha sido mudado para as noites de sexta-feira. E em 3 de maio daquele ano, Dallas finalmente encerrou sua exibição na TV dos EUA, com um final que deixou os fãs com uma pergunta que durou alguns anos: que fim realmente levara JR Ewing, que aparentemente se suicidara, numa cena sugerida, mas não mostrada.

O episódio "Who Done It?" que revelou a identidade de quem havia atirado em JR, na passagem da temporada de 1979 para 1980 teve a maior audiência de TV da história dos EUA, com mais de 90 milhões de lares ligados na série neste dia. Um recorde que seria batido em 1983, pela apresentação do ultimo episódio da série M*A*S*H. Mas, se for contabilizado o público internacional envolvendo o citado episódio, a audiência passa de 360 milhões de pessoas, um recorde ainda hoje.

Um dos pontos altos de Dallas foram seus “cliffhangers”, acontecimentos de um episódio que deixavam todos em suspense para ver a continuação, praticamente realizados a cada encerramento de temporada. Uma prática que foi utilizada em séries posteriores como Arquivo X e Smallville, para delírio (ou preocupações) dos fãs, uma vez que tinham de esperar meses pelo desfecho da situação apresentada. Na primeira temporada como série de TV, o assunto foi a gravidez de Pam, que sofre um acidente, e deixa todos na expectativa, até o início da nova temporada. Ela perde o bebê, e em conseqüência do ferimento, jamais poderá engravidar novamente.

No ano seguinte, quem ficou grávida foi Sue Ellen, que bêbada, acreditava que seu filho seria na verdade de Cliff Barnes, com quem teve um caso. Ao fim do mistério, confirmou-se que a criança tinha mesmo como pai JR. Na temporada seguinte, um dos momentos mais lembrados, quando JR é baleado em seu escritório. Claro que o pérfido filho mais velho de Jock Ewing sobreviveu, mas a identidade de seu atirador deixou todos os fãs em suspense até sua revelação.

E Dallas, neste quesito de acontecimentos “cruciais”, teve uma temporada inteira que acabou “desconsiderada” de sua cronologia. Ao fim do oitavo ano, Bobby, que havia se divorciado de Pamela, reata com ela, e é atropelado, morrendo em seguida. A 9ª temporada inicia-se, então, sem a presença do filho mais novo de Jock, cuja falta é sentida até por JR, que relutava em admitir o óbvio: a presença constante de seu irmão era uma de suas principais motivações, sempre lutando para ficar a frente dele, e nunca deixando-se ficar de guarda baixa nos negócios.

Mas, no último episódio desta temporada, Pamela acorda em casa, vai ao banheiro, e encontra, para seu espanto...Bobby, vivo e com saúde. Toda a temporada, afinal, não tinha passado de um sonho da garota, uma tremenda reviravolta, até para os próprios fãs. Na verdade, o ator Patrick Duffy pediu para sair da série, tentando outros rumos em sua carreira, e decidiu pela morte do personagem. A audiência, claro, despencou um pouco, e como Duffy não conseguiu dar o novo rumo profissional que pretendia, aceitou retornar à série, desde que arrumassem uma justificativa válida para o seu retorno. Daí, então, a temporada que na verdade foi o sonho mais comprido de que se tem notícia na ficção...

No Brasil, pôde-se acompanhar a série até o momento crucial em que a Petróleo Ewing é “lacrada” e dissolvida pela Justiça dos Estados Unidos, após a informação do envolvimento de JR com um terrorista num plano para bombardear campos petrolíferos na Arábia Saudita ter caído em mãos erradas. Como desgraça pouca é bobagem, Pamela sofre um violento acidente de carro, que explode, e fica a dúvida se irá sobreviver, e como JR reagirá agora que ficou sem a companhia fundada por seu pai. Mas, claro, a série não parou nisso. Seguiu adiante, por mais várias temporadas.

No Brasil, Dallas estreou no início da década de 1980, pela TV Globo, que por muito tempo exibiu a série nas noites de domingo, logo após o Fantástico. Este esquema se manteve até a segunda metade da década, quando a emissora carioca a retirou de sua programação. Algum tempo depois, a Bandeirantes trouxe Dallas de volta, chegando a reprisar a série diariamente, e chegando a exibir episódios inéditos nunca mostrados pela Globo.

Na década de 1990, a reprise diária dava uma audiência satisfatória para a Bandeirantes, que cogitava exibir todo o seriado, recém-terminado nos EUA. Mas os planos da emissora mudaram repentinamente. Um dos motivos alegados, na época, era o fato do dublador que fazia a voz de JR estar doente, e que a emissora, ciente da popularidade do personagem, preferia esperar o artista se recuperar a mudar a voz. Mas, como o artista não se recuperou, a emissora informou que daria continuidade à exibição da série após novos testes para encontrar um dublador substituto para o personagem. Ficou por aí mesmo. Dallas nunca mais voltou à TV aberta no Brasil. Até agora, com a estréia da produção na programação noturna de sábado da RedeTV. Uma boa oportunidade de quem não tem TV paga rever a série.

Já na TV por assinatura, os fãs tiveram melhor sorte. O canal TeleUno exibiu a série ainda na década passada, mas não toda. E, desde o ano passado, o canal especializado em clássicos TCM vem exibindo a série, com sua dublagem original em português. Até o momento, já foram exibidos praticamente todos os episódios mostrados na TV aberta, e em breve, começará a exibir as temporadas que ficaram de fora.

O canal informou que Dallas será exibida completa, dublada em português. O seriado é exibido de segunda à sexta, em dois horários no canal: 08:00, e 13:00.

Eis uma boa chance, para quem puder, de rever a saga turbulenta de uma família rica dos Estados Unidos. Afinal, dinheiro pode realmente não garantir a felicidade de uma família...

Ficha Técnica da Série >>

FILMES DA SÉRIE

Dallas teve 3 telefilmes produzidos até hoje. O primeiro deles foi “Dallas - The Early Years” , de 1986, que é um “prequel” para Dallas, mostrando a criação da Petróleo Ewing nos anos 1930. O seguinte foi “Dallas - JR Returns”, produzido em 1996, o primeiro filme “reunion” da série, após 5 anos do fim de “Dallas”. Como o nome diz, mostra o retorno de JR, mais determinado do que nunca a recuperar a sua posição de poder. Este filme foi planejado como o piloto de uma nova série, que deveria focar a nova geração da família Ewing, mas a CBS sentiu que os novos personagens não tinham força para sustentar a produção, e a idéia foi engavetada.

Em 1998, foi produzido “Dallas - War of the Ewings”, Segundo filme “reunion”. Pelas razões explicadas sobre o filme anterior, os novos personagens não aparecem nesta produção, que focou suas atenções em Sue Ellen, JR, Bobby e Ray, com JR a arrumar confusões que arrastam todos juntos.

Recentemente, surgiram rumores de que Dallas ganhará uma nova produção para cinema e um remake do seriado. Mas até o fechamento desta matéria nada de concreto ainda havia sido anunciado sobre estes projetos. Alguns nomes para o elenco da nova série, como John Travolta, foram cogitados, mas chegaram a ser desmentidos até.

KNOTS LANDING – O SPIN-OFF

O que poucos sabem no Brasil é que Dallas gerou uma série Spin-off (derivada). Na realidade, o primeiro projeto que David Jacobs queria produzir uma série tendo como inspiração o filme Scenes From A Marriage, de Ingmar Bergman, que mostrava a difícil relação de um casal, e mostrar aqueles problemas que ocorriam, em um ambiente tipicamente americano, com um rol de personagens mais amplo e com mais opções de desenvolvimento da idéia.

A CBS, entretanto, queria algo mais épico, deslumbrante e que tivesse como pano de fundo a riqueza do petróleo. E assim, Jacobs adaptou sua idéia original de uma série de drama para a saga da família Ewing, foco central de Dallas. Com o sucesso da minissérie e sua posterior produção em seriado, a CBS resolveu aproveitar a idéia original de David, com algumas modificações

Surgiu assim Knots Landing, que tornou-se um spin-off de Dallas. O personagem central em Knots Landing é justamente Gary Ewing, o filho problemático de Jock, que vivia às voltas com a bebida, e era constantemente criticado e rejeitado tanto por seu pai quando por seu irmão mais velho, JR. Assim, após conhecer Valene Clements, ele deixa o Rancho Southfork e vai para a Califórnia, onde pretende criar a sua própria vida, longe das pressões e do nome de sua família rica. Ao chegar na Califórnia com sua mulher, Gary Ewing conhece todo um novo grupo de pessoas que passarão a fazer parte de sua vida, tendo diversos problemas de natureza variada e seguindo em frente com sua vida.

A série estreou em 27 de dezembro de 1979, na mesma rede CBS. Iniciava-se aí a história de Gary Ewing e os problemas rotineiros de um casal e seus vizinhos, na bela Los Angeles.

No início, para reforçar a condição de “série derivada”, Knots Landing contou com participações “especiais” de alguns personagens de Dallas, como Bobby e até mesmo de JR. Estas participações foram escasseando com o tempo, à medida que esta série também atingia o seu brilho próprio. E que brilho: mesmo após o cancelamento de Dallas, em 1991, Knots Landing continuou sendo produzida, encerrando-se apenas em 13 de maio de 1993, após um total de 344 episódios produzidos. Apesar de todo este sucesso, e da fama satisfatória de Dallas no Brasil, Knots Landing permanece inédita por aqui até hoje, apesar de já ter sido exibida em diversos outros países. Curiosamente, pelo fato de ser a série “menos famosa”, na opinião dos produtores, praticamente não houve participações especiais dos personagens em Dallas, salvo aparições esporádicas de Gary Ewing, em visitas rápidas a Southfork.

AS GRAVAÇÕES

Para a fama que Dallas alcançou, o ritmo de produção por trás da série acentuou-se bastante, o suficiente para ocupar todos por período quase integral. Havia folga basicamente no intervalo entre o Natal e Ano Novo, pouco mais de uma semana. No resto do ano inteiro, roteiristas, produtores e demais profissionais estavam sempre de serviço para garantir que tudo desse certo nas gravações e produção do seriado.

Para os atores, a situação era um pouco menos extenuante, com um intervalo que ia de abril a ao final de maio. Ao se iniciar o mês de junho, os atores iniciavam a rotina das gravações, para a temporada da série, que comumente estreava em setembro na TV americana. Da segunda metade de junho até a primeira metade de agosto, os trabalhos de filmagens concentravam-se em Dallas, no Texas, quando o ritmo das gravações ia praticamente de segunda a sábado, com uma pausa no domingo, afinal, ninguém era de ferro. Mas, dependendo da situação, até mesmo no domingo era necessário trabalhar. Tudo para manter o ritmo de produção de uma série das mais famosas da TV no momento.

O trabalho diário começava por volta das 5:30 da manhã para a equipe de profissionais, enquanto para os atores, o horário de começar era por volta das 7:30 da manhã, e a partir das 8:00, todo mundo estava em serviço. Os trabalhos normalmente se encerravam por volta das 18:00 ou 18:30 horas, mas podiam se extender até bem mais tarde, dependendo das necessidades.

As cenas normalmente eram ensaiadas apenas uma vez, ou no máximo até duas, para então ser filmada pra valer, dependendo da situação. Cada cena, na filmagem pra valer, era feita de vários ângulos, de modo a oferecer material na edição para variar as tomadas, de acordo com as exigências do roteiro do dia, de modo a enfocar um ou outro personagem quando necessário.

Com o ritmo de produção incessante, havia várias gravações sendo feitas simultaneamente com os atores, assim, dependendo da situação, eles nem sempre se encontravam uns com os outros nos diversos sets de filmagem. Como exemplo, Ken Kercheval (Cliff Barnes) e Barbara Bel Gedes (Dona Ellie) quase nunca estavam juntos em uma mesma filmagem. E nem todos os atores trabalhavam todos os dias, o que dificultava ainda mais o elenco se encontrar com todo mundo durante as filmagens.

Os atores eram pagos por episódio, em valores variados que podiam ir dos “básicos” US$ 5 mil, para até US$ 100 mil. Figurantes e elenco de apoio eram pagos por dia de trabalho, quando requisitados, em valores também variados. Alguns dos atores principais da série também dirigiram alguns dos episódios, e nesses casos, eles recebiam um pagamento adicional de aproximadamente US$ 17 mil por episódio dirigido. Cada episódio tinha um orçamento definido, que indicava o que poderia ser feito ou não, de acordo com as necessidades do roteiro. Competia aos produtores, e especialmente ao diretor, racionalizar o uso dos recursos para fazer o melhor uso dos mesmos. Chegou-se a cogitar que, tornando-se uma das séries líderes de audiência, o orçamento de cada episódio tenha chegado perto de US$ milhão em meados dos anos 1980.

Para vários locais foram feitos cenários em estúdios na Califórnia, e diversas locações foram usadas para outros lugares. Por exemplo, para mostrar instalações do Rancho Southfork, muitas vezes sem precisar mostrar a tradicional casa exibida na série, foram feitas filmagens em um rancho alugado pela Lorimar em Hidden Hills, na Califórnia. Diversas filmagens foram feitas em locais de Los Angeles, representando ruas e estabelecimentos de Dallas, como as tomadas em restaurantes, centros comerciais com filmagem em foco aproximado (sem visão panorâmica do local). Em diversas outras cenas, era necessário filmar nos locais, e assim, o Rancho Southfork teve muitas cenas rodas em suas dependências, assim como na cidade de Dallas.

Com o fim dos anos 1980 se aproximando e para contenção de gastos, diminuíram-se as filmagens em locações, concentrando-se nas filmagens em estúdios, principalmente na Califórnia, em Los Angeles, e as cenas externas em Dallas propriamente foram ficando cada vez mais raras. O declínio lento da popularidade da série indicava que Dallas já passara de seu apogeu em fama, mas ainda estava em boa situação no ranking nacional de séries da TV.

Mesmo assim, para dar a sensação de que nada havia mudado, várias réplicas de cenários foram feitos em Los Angeles, à imagem e perfeição do que havia em Dallas, como alguns cenários externos e internos de Southfork.

Veja Ficha Técnica, Elenco e Curiosidades da Série >>>

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(*) é colaborador autônomo de jornais e revistas especializadas na área de quadrinhos, animação e afins

(01/11/08)

 



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