Syndicates
por Wally Silva
Resumo rápido dos últimos episódios. Pronto? Vamos lá:
1-O homem começou a desenhar nas paredes das cavernas para contar o seu cotidiano;
2-Com uma melhor destreza manual e capacidade de se comunicar também por palavras ele usa a mesma idéia para passar seus costumes e ideologias (como nas paredes do antigo Egito);
3- Na era Cristã, exemplos como a via-crúcis usam a mesma idéia de histórias contadas através de uma seqüência de imagens;
4- Pessoas como o suíço Rodolph Töpffer e o ítalo-brasileiro Ângelo Agostine usam a arte de se comunicar com seqüência de imagens para a educação e crítica social, respectivamente.
5- Nos Estados Unidos William R. Hearst, dono do Morning Jornal e Joseph Pullitzer, do New York World descobrem que a arte seqüencial aumenta a venda dos jornais. Todos os donos de jornais adoram a idéia e começam a querer os melhores artistas para seus jornais.


Em conseqüência da demanda por histórias, uma peça chave responsável pela proliferação dos quadrinhos norte-americanos começa a ganhar importância: as agências conhecidas como syndicates.
Muito antes da grande demanda pelas tiras diárias os syndicates já faziam um trabalho de distribuição de noticias principalmente para jornais de pequeno porte que não tinham a estrutura necessária para manter seus próprios repórteres, desenhistas, etc.
Os syndicates passaram então a contratar desenhistas famosos e distribuir as cópias de suas tiras a vários jornais. Como o custo era baixo, uma vez que contratando o desenhista o syndicate tinha a propriedade de seu trabalho e autorização para fazer quantas cópias quisesse e vendê-las a quantos jornais fosse possível, não tardou até que eles dominassem o mercado editorial norte-americano e também o internacional.
Os artistas que não fossem filiados a algum syndicate dificilmente conseguiam trabalho, uma situação que acontecia não só nos Estados Unidos, mas também em países da Europa e também no Brasil. Houve exceções, mas de um modo geral os syndicates eram quem dominava o mercado das tirinhas diárias.
Nos anos seguintes novos formatos de histórias foram criados. Dos heróis espaciais como Buck Rogers e Flash Gordon aos super heróis como Superman e Batman, a popularide dos quadrinhos ultrapassava as fronteiras norte-americanas pelas mãos dos syndicates e chegava a Japão, Europa e também ao Brasil.
No período aproximado de 1938 a 1948, uma série de fatores fez com que os quadrinhos tomassem rumos diferentes não só nos Estados Unidos, mas também na Europa e Japão. Foi durante esse período que ocorreu a 2ª Guerra Mundial.
Antes mesmo da entrada dos Estados Unidos no conflito os quadrinhos, enquanto meio de comunicação, eram usados para pregar a participação americana na Guerra e seu posicionamento em relação aos inimigos (Alemanha, Itália e Japão).
Apesar (ou por causa) de toda popularidade dos super-heróis, as revistas americanas causaram reações nos paises do Eixo.
Na Alemanha, Goebbels, Ministro da Cultura de Hitler, proibiu os quadrinhos do Super-Homem, pois enxergou o personagem como um Judeu. Embora Kal-el (nome "verdadeiro" do super-homem), um alienígena de Krypton, fosse superior aos demais homens, o herói era um pacifista que protegia e servia aos fracos, o que era totalmente contra os ideais nazistas que apregoavam que os mais fortes deveriam dominar e eliminar os fracos a fim de purificar o gênero humano. Mais tarde, tanto Superman quanto os outros super-heróis foram realmente usados pelo governo norte-americano na divulgação da propaganda antinazista.
Em 1938 os quadrinhos americanos foram proibidos na Itália, França, Alemanha e União Soviética por motivos políticos. Com a proibição, os quadrinhos na Itália passaram a ser cópias dos personagens americanos destituídas de seus ideais. O camundongo Mickey (Topolino, na Itália) deu lugar ao garoto Tuffolino. Na França não ocupada pelos nazistas, os quadrinhos passaram a exaltar os heróis nacionais como Jean Bart e Joanna D'arc, já a revista Le Téméraire na parte ocupada difundia os ideais nazistas. Porém, a falta de papéis e tinta na Europa constituíram-se em um grande obstáculo à produção de quadrinhos em um continente assombrado pela guerra. As tiragens diminuíram e as revistas se tornaram mais caras.
Ao contrário da Europa, a América do Norte vivia tempos altamente rentáveis no mercado de quadrinhos. Por estar longe dos territórios de guerra não havia problema com materiais, além disso, a campanha que exaltava os super-heróis lutando contra as "forças do mal" nazistas e comunistas aumentavam as vendas, consolidando assim o mercado dos Super-Heróis das revistas em quadrinhos. Aparentemente nada poderia deter o progresso crescente dos quadrinhos.
Apesar do final da Guerra, responsável por mais de 30 milhões de mortes, a produção dos quadrinhos não voltou a ser a mesma. Muitos artistas pararam de desenhar e escrever e se alistaram no exército e depois de ver a guerra de perto houve "um certo constrangimento dos humoristas em serem engraçados".(ANSELMO,1975). Era o declínio dos quadrinhos rumo ao fim de uma era dourada. Embora o mercado estivesse em alta, a criatividade não teria a mesma explosão que teve nos primeiros anos da década de 30.
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de divulgar a produção cietífica sobre quadrinhos
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