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O Incrível Hulk (Filme)

Talvez mais complicado do que uma adaptação para o cinema de um personagem famoso dos quadrinhos seja a seqüência de um desses filmes. A expectativa de saber para onde a história seguirá, se terá o mesmo clima, se melhorará os pontos negativos do primeiro longa, é muito grande. Se você está com essas preocupações sobre o Hulk, ou mesmo se está preocupado se irá entender o filme caso não tenha visto o primeiro, basta reparar no título do filme. Não é a toa que os produtores não batizaram o filme de Hulk 2.

Logo de cara vemos que a opção da Marvel ao produzir esse novo filme foi simplesmente ignorar o anterior. Nada é dito explicitamente nesse sentido, mas tudo na história indica que nunca houve um primeiro filme do Hulk. O roteirista parte do princípio de que todos sabem que o Dr. Bruce Banner passou por uma experiência frustrada e agora, quando fica nervoso, se transforma em um gigante monstro verde.

Com isso, eles acabaram fazendo o filme que todos os fãs, tanto os do antigo seriado quanto os dos quadrinhos, gostariam de ver. E nesse sentido acertaram em cheio.

Se você é um leitor desse site, provavelmente gosta de quadrinhos e, dependendo da faixa etária, também gostava da série do Hulk da na TV (mesmo que diga para todo mundo que achava ela tosca, sabemos que no fundo você gostava). Assim, pode ir sem medo assistir ao filme.

Existem duas facetas claras no Hulk como personagem. Um componente da criação dele, que tem toda a carga de elementos psicológicos, toda a comparação com Dr. Jekyll e Mr. Hyde e a semelhança com o King Kong nas famosas cenas entre o Hulk e Betty Ross. Esse lado foi mais explorado no primeiro filme. É algo feito mesmo para apresentação e construção do personagem.

Já o outro componente muito forte do personagem é sua eterna busca. Algo que ficou muito patente na clássica série para TV com Bill Bixby e Lou Ferrigno (que nesse filme além de fazer uma ponta foi o dublador do Hulk) é que Bruce Banner é um fugitivo. Aliás, um fugitivo em vários sentidos. Ele não se esconde apenas do governo, ele se mantém em movimento porque é um risco constante para qualquer um próximo a ele.

Essa característica tão marcante do personagem dita todo o enredo da história. Banner está fugindo do exército e em busca de uma cura para sua condição. Ele começa o filme escondido no Brasil, mais especificamente na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, onde ele trabalha na linha de produção de uma fábrica de guaranás. Quando um acidente revela sua posição para o General Ross, ele tem que novamente começar a fugir e viaja como um indigente por toda a América Central até conseguir retornar aos EUA, onde um cientista que tem se correspondido com ele pode ter uma cura para sua condição.

Para caçá-lo, o General Ross chama Emil Blonsky e, vendo que o combatente tem sede por poder, oferece a ele uma chance de melhorar seu desempenho físico. Assim, Ross reativa o programa do super-soldado e dá os primeiros passos para transformar Blonsky no Abominável. Obviamente o momento apoteótico do filme é o combate entre Hulk e o Abominável.

Agora, os fãs da Marvel vão se deliciar com a infinidade de referências no filme. Logo de cara usaram a idéia da fase recente de Peter David no personagem quando ele se comunicava com uma pessoa misteriosa pelo computador usando os codinomes Mr. Green e Mr. Blue (Sr. Verde e Sr. Azul). Temos a aparição do psiquiatra Dr. Samson, de Samuel Stern (o Líder, inclusive com direito a uma cena que deixa um grande gancho para ele voltar como vilão em uma possível seqüência) e várias citações da S.H.I.E.L.D., a exemplo do que já aconteceu em Homem-de-Ferro.

Fora isso, tem uma cena onde Banner se atira de um avião para forçar a transformação no Hulk, idéia tirada de Os Supremos Vol. II. Além das diversas referências à série da TV, como a transformação marcada pela mudança dos olhos e a famosa trilha de encerramento dos episódios. Para completar, no final do filme há uma ponta de Robert Downey Jr. como Tony Stark, deixando um gancho para um possível filme dos Vingadores. É claro que Stan Lee faz uma de suas tradicionais pontas que estão ficando cada vez melhores.

Na atuação, o novo elenco (algo feito para garantir uma completa dissociação entre esse filme e o de Ang Lee) se sai bem. O trio formado por Edward Norton, Liv Taylor e William Hurt funciona no filme, apesar de parecer faltar um pouco de firmeza nos três.

Apesar de todas as recomendações para se ver o filme, cabe uma reflexão final sobre o caminho que a Marvel está seguindo com seus longas-metragens. Parece que a editora não aprendeu com os próprios erros ou está se contentando em se alimentar do público que tem por quanto tempo puder.

Algo que vemos claramente no mercado de quadrinhos, inclusive no americano, é que ano a ano as vendas diminuem. Essa tendência vem de uma opção das próprias grandes editoras de se voltarem completamente para agradar seus fãs de longa data, a ponto de se fecharem para novos leitores.

Pelos dois últimos filmes da Marvel, vemos que ela está aplicando essa teoria nos filmes. Eles são filmes para fãs do personagem. No começo muitos desavisados vão aos cinemas procurando um filme de ação normal, mas quando perceberem que só os leitores de quadrinhos acham esses filmes espetaculares, o publico vai reduzir. Seguindo esse perigoso caminho, talvez com o tempo, o público seja tão pequeno que eles se voltem exclusivamente para DVDs vendidos em comic shops e os filmes, que queira ou não ajudam a formar um novo público, servirão só para sugar mais dinheiro do público atual.

 
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