Artistas

 

Milton Caniff

Milton Caniff foi um dos grandes mestres dos quadrinhos de aventura e um dos responsáveis pelo estouro que o gênero teve nos anos 30. Com textos e desenhos de primeira, influenciou diversos artistas, não apenas dos quadrinhos, mas também do cinema.

Caniff nasceu em 28 de fevereiro de 1907, em Hillsboro, Ohio. Na juventude foi escoteiro e chegou a receber um prêmio desta entidade. Na época do colégio, já publicava cartuns em alguns jornais locais e depois de formar-se na faculdade, começou a trabalhar como jornalista.

Depois de fazer alguns trabalhos como assistente, iniciou sua carreira de cartunista profissional em 1932, em Nova Iorque. Seu primeiro trabalho foi substituindo Al Capp em Mister Gilfeather, na qual permaneceu por quase um ano, antes de fazer The Gray Thirties, uma série cômica.

Começou a envolver-se com quadrinhos de aventura em 1933, com a tira de fantasia Dickie Dare, personagem influenciado por Flash Gordon  e Brick Bradford. Na série, o protagonista sonhava viver aventuras no estilo de heróis clássicos como Robin Hood, Rei Arthur e Robinson Crusoe. Mais tarde, numa segunda fase, o personagem deixou de sonhar para de fato viver tais aventuras como um escritor freelancer que viaja a todas as partes do mundo.

No ano seguinte, começou sua primeira grande obra, Terry e os piratas. Assim como Dickie Dare em sua segunda fase, Terry era um escritor que viajou até a China na companhia de um outro escritor que lhe servia de mentor.

Durante os doze anos que Caniff desenhou a tira ele criou diversos personagens fascinantes. A maioria deles era, de uma forma ou outra, “piratas”, como Burma, uma loira suspeita de ter sido uma grande criminosa; Chopstick Joe, um criminoso Chinês; Singh Singh, um guerreiro das montanhas Chinesas; Judas, um batedor de carteira; Sanjak, uma lésbica. Ele também aumentou a tripulação criando figuras como Hotshot Charlie, que lutou junto com Terry na Guerra, e April Kane, uma jovem que foi o primeiro amor de Terry.

Mas a principal criação de Caniff foi a Dragon Lady, uma rainha pirata. Ela parecia fria e calculista, mas Caniff induzia os seus leitores a pensar que ela amava em segredo Pat Ryan.

Uma das grandes inovações narrativas apresentadas por Caniff em Terry e os piratas foi o fato do personagem amadurecer com o passar do tempo e também acompanhar as mudanças históricas ao longo desse período. Assim, quando chegou à idade de alistar-se no exército e com a guerra acontecendo no Pacífico, Terry passou a servir na Força Aérea.

Simultaneamente à publicação de Terry e os piratas, Caniff produziu a tira Male Call, estrelada pela linda morena Miss Lace, que curiosamente também entrou para a história relacionando-se com a Guerra, pois se tornou um grande sucesso entre os soldados norte-americanos na Europa e na Ásia.

Em 1946, após o término da Segunda Guerra Mundial, Caniff deu início a sua segunda série de grande sucesso, Steve Cânion. A criação autoral de Caniff veio para substituir Terry e os piratas.

Capturando mais uma vez os ânimos da sociedade norte-americana em relação ao conflito, a nova série mostrava um veterano piloto de guerra que agora tentava salvar sua agência de transportes aéreos da falência.

Ao mesmo tempo que mostrava um herói de guerra lutando contra problemas comuns, como contas a pagar, a série resgatava todo o clima de aventura e fantasia em lugares exóticos que eram comuns antes da guerra, numa tentativa de reanimar a imaginação do público de depois de um período tão negativo.   

O autor publicou a tira até sua morte, em 1988, somando 41 anos de publicação.

Seguindo os costumes e a ideologia da época, Caniff produziu uma história em quadrinhos "educativa", encomendada pelo exército norte-americano. Intitulada How to spot a jap era destinada aos soldados que fossem combater os japoneses no Pacífico. O material é cheio de elementos curiosos, como dicas para se reconhecer um soldado japonês por suas vestimentas, costumes e até mesmo como diferenciar japoneses de chineses.

Caniff foi um dos fundadores da National Cartoonist Society, recebeu diversos prêmios por seu trabalho, incluindo o Will Eisner Award Hall of Fame no ano de sua morte, e chegou a ser capa da revista Time.

   
   



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