Pintores
de HQ – Segunda Parte
Primeira
parte
Dave
Mckean conheceu o escritor Neil Gaiman em
1986, com o qual ele colaborou em muitos projetos, desde então.
O primeiro livro deles, Violent Cases (1987), foi reimpresso
várias vezes.
Com
a graphic novel Asilo Arkham, escrita por Grant Morrison,
McKean deixou sua marca entre os autores que deram novo ânimo
aos quadrinhos do Batman na virada dos anos 80 para os 90. Juntamente
com A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian
Bolland, devolveu ao Coringa sua aura de horror e uma psicose
genuinamente letal.
Suas
páginas na verdade são montagens em que entram todo
de material por meio de colagens. Em Asilo Arkham, McKean
usou retalhos de tecido, pedaços de mobília, pequenos
objetos de metal e até mesmo insetos para fazer a atmosfera
doentia da prisão para os inimigos do Cavaleiro das Trevas
saltar das páginas.
Para
criar as capas da série Sandman, o artista buscava
todo tipo de objetos e produzia algo mais parecida com uma instalação,
até dez vezes maior que uma página comum e depois a
fotografava.
McKean
também usou muitas referências fotográficas, especialmente
na minissérie que reformulou a Orquídea Negra
para a DC. Porém, diferentemente de pintores como Alex
Ross, McKean inseria uma série de grafismos sobre
a figura com fortes elementos surrealistas e expressionistas.
Entre
1990 e 1996, o ilustrador fez (e também escreveu) as 500 páginas
da série limitada Cages, que lhe propiciou o prêmio
Harvey Award de melhor revista nova de 1992.
Bill
Sienkiewicz ficou conhecido como um dos mais inusitados ilustradores
de quadrinhos de todos os tempos. Seu nome quase impronunciável
– o qual fez questão de não adaptar ao inglês,
como de costume – combina perfeitamente com sua arte não
menos desconcertante.
Seu
estilo começou a chamar a atenção no título
de segundo escalão da Marvel Moon Knight (Cavaleiro
da Lua).Tanto Bill quanto o personagem se tornaram cult entre os leitores
do começo dos anos, já cansados de verem repetidas pela
enésima vez as fórmulas das hqs de super-heróis.
Antes visto como uma versão do Batman na Marvel, o Cavaleiro
da Lua desenhado por Sienkiewicz se tornou uma referência
para um período nos quadrinhos que sucedeu a Era de Prata,
no qual surgiram personagens como Desafiador, Questão,
Justiceiro e a fase de mais sucesso do Demolidor.
Mas
com Elektra Assassina, em parceria com Frank Miller,
que alcançou o renome como um dos mais geniais autores dos
anos 80. Ali estão as mais ousadas páginas criadas por
Sienckiewicz, que as produziu sem nenhum tipo de limitação
editorial. O nível de detalhamento que antes o artista reserva
às capas está em todas as páginas desta obra.
David
Mack realiza em seu trabalho autoral com Kabuki
experiências com técnicas de pintura, diagramação
das páginas e narrativa visual.
David
não estudou em uma escola de artes mas recebeu uma bolsa de
estudos em uma Universidade por cinco anos. Lá ele frenqüentou
disciplinas variadas de artes e ciências humanas, incluindo
História do mundo, Anatomia & Psicologia e língua
japonesa. Ele se formou com um Bacharelado em Belas Artes e Design
e uma especialização em Língua Inglesa.
As
páginas de Kabuki são sempre inovadoras e nada
monótonas. Mack é especialista em desconfigurar a representação
do tempo na narrativa inserindo uma única imagem em vários
quadrinhos.
Responsável
também pelas capas da série Alias, de Briam
M. Bendis, Mack multiplicou o apelo da revista entre os fãs
com uma arte que dialogava intimamente com o conteúdo das histórias
de uma forma que poucas capas já fizeram na história
dos quadrinhos. É de cair o queixo quando se descobre que em
todas as capas há indícios da relação
de Jéssica Jones com o Homem-Púrpura, revelada no final
da série.
O
croata Esad Ribic, responsável pelas capas
de Wolverine recentemente publicadas pela Panini e pela belíssima
minissérie Loki, trabalha com uma combinação
de aquarela, tinta acrílica e guache. Antes disso, trabalhou
como ilustrador na Croácia e na Alemanha e desenhou algumas
histórias curtas para a linha Vertigo.
Sua
arte, além de deliniear muito bem os personagens e de lhes
dar não só caracteristicas físicas, mas também
deixar transparecer suas emoções tem a capacidade de
criar poderesos ambientes. Apesar de usar cenários muito simples,
sem todo o detalhismos do desenho realista, sua pintura dá
vida e movimento aos fundos de cena. É possível sentir
a tensão no ar em cada cena. Além disso, em Loki
ele mostrou que sabe contar visualmente uma história. Com várias
cenas chocantes, onde podia-se sentir a dor dos personagens Ribic
surpreendeu a todos.