Um
dos gêneros mais prolíferos é o de histórias
policiais. No cinema, seriados da tv, quadrinhos, desenhos e livros
as histórias nunca param de ser produzidas, o estilo sempre
é renovado e muitos de seus personagens e casos se tornaram
verdadeiros clássicos da cultura pop. Mas o que torna as histórias
policiais tão interessantes?
Pode
se falar da emoção, da ação e da aventura.
Os heróis, que não necessariamente sempre são
policiais, mas sim envolvidos em histórias detetivescas, tem
que passar por vários apuros para pegar os bandidos. Geralmente
há várias brigas, trocas de tiros e perseguições
desesperadas. Além de, é claro, uma eterna corrida contra
o tempo; uma vez que um crime é cometido seu responsável
tem que ser detido o mais rápido possível.
Muitos
gostam do suspense e da intriga. Sempre há um mistério
a ser resolvido. Sempre o herói tem que atravessar uma teia
de mentiras e pistas falsas para poder chegar ao caminho certo. Todos
são suspeitos. Todos podem estar mentindo. O criminoso está
sempre à espreita, próximo, sempre na iminência
de agir novamente.
Ainda
tem a estrutura narrativa. Desde os filmes noir aos seriados
como Lei e Ordem, consegue-se encaixar quase todos os tipos
de estrutura narrativa nesse gênero. A história pode
ser contada do começo seguindo linearmente; do meio partindo
direto para a ação e recontando tudo aos poucos; ou
mesmo do fim, sabendo-se quem é o culpado e mostrando o porquê
e como em flashbacks. Além de que você pode
fazer histórias de suspense, humor, drama, romance, ação
ou um pouco de cada coisa, tendo como fio condutor uma história
detetivesca.
Na
verdade a grande sacada do gênero, que garantiu sua sobrevivência,
sua constante melhora e renovação, é a interatividade
da história com o espectador. Quando você lê ou
assiste uma história policial é quase impossível
ficar passivo. Diferente das histórias de terror onde o máximo
que se pode fazer é gritar para a mocinha não seguir
tal caminho, nas histórias policiais você é o
detetive. Todas as pistas estão ali. Você e o protagonista
vêm as mesmas coisas, sabem das mesmas informações,
conhecem os mesmos suspeitos. A questão é como cada
um junta as peças do quebra-cabeças. Você passa
a história toda tentando descobrir o final, tentando pegar
o criminoso, tentando acompanhar a mente ágil do personagem
investigador. Essa necessidade inata de se resolver o problema é
que mantém a atenção. Essa oportunidade de interagir
com a história é que torna o gênero policial tão
interessante, maleável e funcional.
Por
isso, já cabe aqui uma distinção que nos ajuda
a definir um bom enredo detetivesco: o respeito à inteligência
do leitor. É fácil “surpreender” o leitor
quando o autor guarda para si todas as pistas relevantes do caso para
sacá-las de seu esconderijo nas últimas páginas
ou minutos da história e dar ao protagonista a glória
de desvendar todos os mistérios. Enquanto isso não acontece,
o espectador tem que agüentar toda enrolação do
autor para preencher um livro ou filme.
Como
dissemos antes, várias histórias policiais se tornaram
clássicos da cultura pop. Várias revistas, livros ou
filmes são essenciais e bem divertidos. Para retratar isso,
nas próximas semanas traremos para a Biblioteca
Pop Escolar alguns exemplos do gênero policial e tentaremos
mostrar como ele é amplo, abrangente, funcional e divertido.