Quão fundo são os nossos bolsos?
A maioria dos fãs de HQ gostaria de comprar tudo que sai nas
bancas, manter uma coleção perfeita acompanhando séries
mensais, especiais, álbuns de luxo e outros acessórios.
Contudo, observando o mercado nacional vemos que isso se tornou praticamente
impossível. Fazendo uma conta rápida, podemos ver que
em dezembro de 2005, um mês relativamente sem especiais caros
precisaríamos de R$ 500,00 para fazer uma limpa nas bancas. Vale
lembrar também que se em dezembro tivesse sido publicado alguma
edição de Sandman pela Conrad e um álbum da Opera
Graphica, esse número iria facilmente para R$ 600,00.
Mas o que esses valores realmente indicam? Alguns politizados
mais exaltados diriam que isso é um ultraje que, em um país
onde o salário mínimo luta para ultrapassar a barreira
dos R$ 300,00 alguns se dêem ao luxo de gastar tanto dinheiro
com um hobby. Sempre haverá aqueles que dizem que ainda falta
muita coisa para ser publicada e que eles têm que adquirir alguns
títulos importados além do que saiu no Brasil.
Agora, observando mais de perto, vemos que esses números
que parecem absurdos na verdade representam uma democratização
dos quadrinhos. Atualmente temos material de todos os preços
para todos os gostos. Se você tem dinheiro para acompanhar só
um título por mês pode comprar uma revista tradicional
de super-heróis, mangá, fumetti, manwha, algum título
da Disney ou até uma revista mais adulta por menos de R$7,00.
Se você tem um bolso mais recheado e não
tem paciência para toda semana visitar uma banca esperando aquela
revista que nunca chega, pode em uma visita a uma livraria despender
algo entre R$ 30,00 e R$ 60,00 reais em um álbum com um excelente
acabamento gráfico e histórias de alta qualidade.
Outro ramo que chama muito a atenção
pelo seu crescimento e pelo seu custo é o de publicações
teóricas. Até algum tempo atrás era difícil
conseguir uma bibliografia sólida e de qualidade para uma pesquisa
sobre quadrinhos, ou até mesmo para conhecer melhor como esses
são feitos ou sua história. Tinha-se que recorrer a livros
importados, teses ou algumas publicações de qualidade
duvidosa que falavam superficialmente sobre o assunto.
Felizmente isso mudou bastante, temos, por exemplo,
dois livros do Scott Mcloud, um Guia de Roteiros e Arte da DC, livros
de história como A Guerra dos Gibis, O Homem Abril,
Tentação à Italiana(os três Gonçalo
Júnior) e o recente lançamento do 100 anos de Tico-Tico,
entre outros. Sobre esse último, uma publicação
fantástica, de Franco de Rosa que impressiona inicialmente pelo
preço: R$ 132,00, mas também é o mais completo
e definitivo sobre essa revista que foi tão importante no nosso
país.
Enfim, só podemos comemorar o crescimento desse
mercado, suas variadas opções e ao mesmo tempo lamentar
não possuir o dinheiro necessário para não ficar
babando nas bancas e livrarias. Também vale fazer uma ressalva,
há dinheiro e público no mercado para todas as editoras,
grandes ou pequenas, mas deve haver um bom planejamento, uma competição
não predatória e uma preocupação de todos
para não saturar o mercado e começar uma onda de falências
e fiascos editoriais como já aconteceu antes no mercado brasileiro.