Enfermeira
Noturna
Quem
leu Demolidor 16, publicada pela Panini, deve ter
lembrado ou ficado curioso com a referência que Michael
Bendis faz à personagem Enfermeira Noturna,
principalmente porque na edição nacional foi
colocada uma nota dizendo que existiu uma revista com esse
nome. O interessante é que essa é uma daquelas
revistas que quando existiu fez pouco sucesso e durou pouco,
mas sempre é lembrada pelos fãs mais antigos
de quadrinhos.
A
grande falha da revista foi ter surgido fora de época.
Na década de 60 existiam várias revistas em
quadrinhos que não eram de super-heróis e várias
personagens femininas muito marcantes, como Tessie the
Typist (Tessie, a Datilógrafa), Millie the
Model (Millie, a modelo) e Sherry, the Showgirl.
Contudo,
com o advento do gênero dos heróis mascarados,
os quadrinhos foram se tornando um produto extremamente voltado
para o mercado masculino, uma tendência que, de certa
forma, segue até hoje (apesar de que as meninas do
Azul Calcinha
estão aí para mostrar que isso está mudando).
Assim, quando em 1972 surgiu a revista Enfermeira Noturna,
publicada pela Marvel Comics,
com roteiro de Jean Thomas (esposa de Roy
Thomas) e arte de Winslow Mortimer, a
revista era um anacronismo.
Imediatamente
tachada como uma revista para idiotas, essa revista de garotas
não teve chance, mesmo tendo um material muito bom.
Linda Carter (nome que posteriormente se
tornaria famoso por ser o mesmo da atriz que interpretou a
Mulher Maravilha em um seriado para televisão)
era uma enfermeira do turno da noite com uma forte tendência
para se meter em encrencas junto com suas colegas de quarto
e de trabalho Georgia Jenkins e Christine
Palmer.
Ao
contrário do que possa parecer, a revista não
era uma comédia romântica ou um drama de mulheres.
Ela tinha muita ação e surpreendia os leitores
por ter tanto um pouco de gênero policial quanto de
horror. As situações com que a enfermeira tinha
que lidar iam de ameaças a bomba até assassinos
em série. Tanto que na capa da revista existia a mensagem:
“Entre em um mundo de perigo, drama e morte”.
Infelizmente,
sem a possibilidade de séries paralelas, sem interesses
de licenciantes para filmes, bonecos ou outras franquias e
a baixa procura dos leitores, a série durou apenas
quatro edições, de novembro de 72 a maio de
73. Depois disso a personagem caiu no limbo editorial, sendo
citada ocasionalmente por um ou outro autor. Inclusive, uma
das coadjuvantes, Christine, chegou a ter um caso com o X-men
Noturno muito tempo depois.
Mais
recentemente houve rumores de que a Marvel ressuscitaria a
revista, fazendo uma minssérie pelo selo Marvel Max,
com roteiros de Gail Simone e desenho de
Jill Thompson, contudo o título foi
cancelado antes mesmo de ser produzido e Simone foi trabalhar
com o personagem Deadpool.
A
série original da enfermeira noturna fazia uma referência
a outra revista que fez um bom sucesso uma década antes
dela. De setembro de 1961 a janeiro de 63 a Marvel publicou
a série escrita por Stan Lee e desenhada
por Al Hartley chamada Student Nurse
(Aluna de enfermagem). A personagem tinha o mesmo nome, Linda
Carter, mas cor de cabelos diferente, ela era morena e a Enfermeira
Noturna loira.
Nunca
foi confirmado, nem negado, até por não ser
algo de tanta relevância, se a enfermeira noturna era
a aluna de enfermagem crescida. Contudo, como Roy
Thomas, editor da revista na época e fanboy
de carteirinha, era fã da personagem original, pode
se considerar, pelo menos, como uma homenagem à criação
de Stan Lee.