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TOP MOMENTOS
GLORIOSOS DO ROCK NOS QUADRINHOS
Por
Chico Castro Jr.
Pisar no palco, plugar uma guitarra e esmerilhá-la
com garra e estilo - para delírio da galera – é,
definitivamente, a maior glória que qualquer rocker pode desejar.
Nos quadrinhos, esse momento de esplendor e iluminação
foi interpretado de diversas maneiras – nem sempre alvissareiras,
como veremos, através de citações e outros tipos
de situações criadas pelos autores. Com Angeli na bateria,
Jaime Hernandez no baixo, Stan Lee & John Romita nas guitarras,
Grant Morrison nos teclados e Alan Moore nos vocais, fiquem agora
com alguns dos momentos mais gloriosos do rock – nos quadrinhos.
1
- "VOCÊS QUEREM ROCK N' ROLL??" -
Essa tira estrelada por Ritchi Pareide (a primeira, no alto da página)
foi uma das mais geniais da gloriosa Chiclete com Banana,
revista que, como todo mundo aqui está careca de saber, foi
um marco dos quadrinhos brasileiros e por que não dizer, até
mesmo do rock pátrio. Atualíssima, ela até hoje
reflete a realidade de muitas bandinhas fabricadas como as que vemos
pululando por aí (até na Bahia já tem, como sabemos).
Só que, em vez do topete e lenço no pescoço dos
anos 80, o personagem usaria bermudas, tatuagens, piercings, boné
e cavanhaque. Aproveitem e curtam as outras tiras da página,
igualmente fantásticas. Publicada na revista The Best of
Chiclete: Série Tipinhos Inúteis nº 2, da
Circo Editorial / Nova Sampa, em abril de 1991.
2
- "YAY, HOPEY!" - Como dizia John, "to
know her is to love her". Da mesma forma, é humanamente
impossível conhecer as Locas do escritor e
desenhista Jaime Hernandez, cujas aventuras eram
publicadas na revista Love and Rockets, e não se apaixonar.
As duas personagens principais, Hopey e Maggie,
cujo relacionamento oscila entre o sexo e a amizade, são um
retrato carinhoso das punkettes chicanas da Baixa California,
local de origem do autor. Hopey toca baixo numa banda
punk, os Mísseis de Outubro, e Maggie
é uma mecânica de foguetes (sério!) fofinha, com
problemas de peso. Prestem atenção no quadrinho central
da página dessa história, ela capta perfeitamente o
clima do inferninho onde os Mísseis de Outubro estão
prestes a tocar. Enquanto Hopey discute com o pessoal da platéia,
um repugnante crítico de rock local passa uma cantada na linda
Terry, guitarrista da banda, que lhe dá uma
merecida gelada. O que o mané não sabe é que
Terry é apaixonada por Hopey, e vive tentando roubá-la
de Maggie. Ah, o amor punk chicano... Publicada na revista Animal
nº 14, da Editora VHD Diffusion, em novembro
de 1990.
3
- "MORRA DE INVEJA, GWENDOLYNE!" - Quem
achava que eu ia deixar o herói supremo de todo nerd que se
respeita, o Homem Aranha, de fora
dessa, se deu mal. Nessa história da fase clássica de
Stan Lee e John Romita,
Peter Parker e sua tchurma vão à inauguração
de uma boate, cujo dono contratou a espevitada e deliciosa Mary
Jane (esse Stan Lee nunca me enganou, era um chincheiro
safado mesmo, daí a "homenagem" no nome da personagem)
como dançarina. Egresso dos quadrinhos românticos que
desenhava para a própria Marvel nos anos 50, Romita desenhava
homens e mulheres bonitos (beleza típica da época, claro)
como ninguém e retratou o clima anos 60 dessa cena de forma
irrepreensível. Parece que a qualquer momento, Austin Powers
surgirá no meio da história. E fala, sério, Mary
Jane de vestidinho e botinhas tá rock n' roll demais. Oh,
behave!, diria o agente nada secreto, babando pela ruiva número
um dos quadrinhos. Intitulada A Marca do Doutrinador, essa
história foi publicada na revista A Teia do Aranha
nº 3, de dezembro de 1989, pela Editora Abril.
4
- O DESPERTAR DO ÊXTASE. O filme Trainspotting
(1995) e sua temática enfocando a juventude britânica
desorientada, encrenqueira e louca por um tóxico, bem como
sua narrativa ágil e despojada, fizeram um estrago danado.
Montes de filmes britânicos (e americanos também) pongaram
naquela estética, gerando resultados quase sempre irregulares.
Aqui, o fantástico escritor escocês Grant Morrison
dá a sua versão para aquele momento histórico
na graphic novel Como matar seu namorado (Vertigo / DC),
onde vemos uma adolescente londrina absolutamente entediada com sua
vidinha, embarcar numa viagem sem volta com um marginalzinho sedutor
que a conquista com umas doses de vodca acompanhadas de umas pedradas
nas janelas da vizinhança. Na seqüência, eles matam
um suposto pretendente (e colega de classe) da jovem sem qualquer
razão aparente, no melhor estilo Laranja Mecânica.
Em fuga, cruzam com um auto-intitulado Grupo de Assalto Niilista,
têm experiências homossexuais, assaltam lojas de bebidas,
tomam ecstasy e vão muito loucos pra balada. Tudo muito saudável.
O final é apoteótico e totalmente anti-moralista. Cace
essa pequena obra prima nos sebos ou morra na ignorância. Como
matar seu namorado foi publicada no Brasil em maio de 1999 pela Tudo
em Quadrinhos Editora.
5
- "I'M A MAN OF WEALTH AND TASTE" - Fechando
com chave de ouro, o mestre supremo dos quadrinhos, bardo de Northampton,
salve, salve, Alan Moore faz sua homenagem aos Rolling
Stones em V de Vingança, quando o personagem
V chega para detonar os cornos do padre pedófilo e corrupto
e se apresenta com a frase de abertura de Simpathy for the devil.
Na época em que escreveu essa série (início dos
anos 80), essa música ainda não estava tão vulgarizada
quanto hoje, portanto, logo que saiu, ainda levei um tempinho (mas
não muito) para pescar essa referência. Repararam nos
chifrinhos? É a glória, indubitavelmente. Dêem
um desconto pro scanner mal feito e curtam a cena clicando aí
na página. Esse página foi scanneada da edição
encadernada publicada pela Editora Globo em algum
momento de 1990. Relançada este mês de abril de 2006
pela Panini Editora.
Quando
não está lendo quadrinhos e escutando rock, Chico Castro
Jr. escuta rock enquanto escrevendo o blog Rock
Loco.
Agradecimentos
ao Pedro Henrique dos Santos Costa pelos imagens desta lista.