Top Pop - Mestres do preto-e-branco
Como
parte das homenagens do Pop Balões a Alex
Toth, falecido no último dia 27 de maio, selecionamos
os cinco maiores artistas que trabalharam com preto-e-branco nos
quadrinhos. Não aqueles que simplesmente não quiseram
ou não puderam dar cor aos seus desenhos, mas aos verdadeiros
mestres do chiaroscuro, a técnica que explora
a força do contraste entre luz e sombra.
Estes
artistas se destacam por dar aos quadrinhos nuances e atmosferas
carregadas de intensidade. O universo de suas criações
chega a parecer palpável para o leitor que se deleita com
as composições mágicas de cada quadrinho.
1.
Hal Foster: As pranchas que Foster criou para Príncipe
Valente são uma prova irrefutável de que a habilidade
e a sensibilidade deste quadrinhista esta à altura de qualquer
outro ilustrador. Seu perfeccionismo inspirado até hoje
faz com que muitas pessoas que nem lêem quadrinhos se impressionem
com tantas cenas ilustradas por Foster e ainda mais com as histórias
maravilhosas que elas formam. Graças a Foster, o cenário
de Príncipe Valente ganha as dimensões da vida real,
com volumes e texturas dotadas de seu próprio peso e movimento,
em sintonia com os gestos bem expressados de cada personagem.
2.
Bernie Wrightson: No gênero em que o preto e branco
é o estilo por excelência, Bernie Wrightson se tornou
um mestre. Seus quadrinhos de horror têm uma atmosfera verdadeiramente
tensa e assustadora que parece extrapolar os limites da revista
e tomar todo o ambiente onde o leitor está. As sombras
são massivas e a luz que há apenas deixa tudo mais
sinistro. Juntamente com Len Wein, criou o Monstro do Pântano,
em 1971. Sem dúvida, as ilustrações que fez
para Frankenstein são a melhor representação
da atmosfera deste clássico do horror.
3.
John Buscema:
Na fase em que desenhou Conan, Buscema aplicou todo o vigor da
vanguarda da Marvel à fantasia medieval e com isso criou
um dos maiores heróis de aventura dos quadrinhos. A força
do bárbaro cimério pode ser vista tomando conta
de cada quadrinho, fazendo do cenário um verdadeiro palco
para o confronto de homens selvagens com seres míticos.
4.
Mike Mignola: Ele já foi chamado de o artista
preferido dos artistas e não foi sem razão. Já
nos anos 80, Mignola se destacava por seu estilo totalmente incomum,
sem nenhuma pretensão de ser foto-realista como sempre
ditou o padrão dos super-heróis. Seus personagens
estão sempre envolvidos pelas sombras que escondem a aparência
e revelam o que eles têm de mais escondido.
5.
Frank Miller: Depois da excelente narrativa visual, a
habilidade de Frank Miller com o alto-contraste em preto-e-branco,
levada à enésima potência nas diversas séries
de Sin City, é seu maior talento. Nos quadrinhos de Miller
há muito mais espaços escuros, totalmente cobertos
por nanquim, do que em branco. No entanto, suas figuras continuam
sempre em movimento, numa dança macabra e violenta, própria
da Cidade do Pecado.